Assim como em muitas localidades do país, manifestantes contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) protestam na capital alagoana em frente ao Alagoinha, na orla de Maceió.

O local escolhido também se dá pela proximidade do apartamento do senador Renan Calheiros (PMDB), presidente do Congresso Nacional e um dos peemedebistas que seguem com aliança com o atua governo federal.

Os manifestantes utilizam um trio elétrico e gritam palavras de ordem. A ideia é fazer um acampamento e perdurar a manifestação sem data definida para o fim. Os protestantes classificam como “afronta” a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ser ministro da Casa Civil.

Lula foi nomeado na manhã de hoje, mas passou apenas 40 minutos no cargo. Uma liminar da Justiça Federal sustou a nomeação. O governo federal recorre. Paralelamente, outras ações populares chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de impedir que o ex-presidente faça parte do ministério.

Na visão de muitos dos manifestantes, seria uma espécie de renúncia de Dilma Rousseff sem que ela deixasse o cargo. Ou seja: um “terceiro mandato” do ex-presidente Lula e ao mesmo tempo uma forma do petista fugir da Justiça alcançando o foro privilegiado.

A crise política no país se aprofundou após os áudios divulgados – após o juiz Sérgio Moro derrubar o sigilo sobre estes arquivos – envolvendo Lula, Dilma e outros aliados do governo federal, incluindo o ministro Jaques Wagner. Nos áudios, se percebem diálogos que indicam que Lula assumiria o ministério para fugir da Justiça. Além disto, fica claro o quanto o ex-presidente pressionava o governo em função da crise que o atingia.

Lula é um dos alvos da Operação Lava Jato. Com isto, a crise chegou de vez ao Palácio do Planalto. Tanto que – no dia de hoje – a Câmara de Deputados deflagrou o início do processos de impeachment com a instalação a Comissão para acompanhar o processo. Nesta comissão, um alagoano: o deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR).

Os manifestantes em todo o país cobram ou a renúncia de Dilma Rousseff ou o impeachment. No Alagoinha, não é diferente. Por lá, foram montadas barracas. Os líderes do movimento e os que aderiram às manifestações devem dormir no local. Um dos gritos de ordem é: “Fora petista, bolivariano, a roubalheira do PT está acabando”. Muitos motoristas que passam pelo local, buzinam em sinal de apoio.

O coordenador do Movimento Brasil, Josan Leite, salientou que os manifestantes não esqueceram que não se trata apenas de políticos do PT, que é o principal alvo por ser o governo federal. Leite cita Renan Calheiros. Ele tece críticas contundentes ao senador e lembrou que ele tem um “papel fundamental para a queda da presidente”. “O compromisso com a população tem que ser maior do que o compromisso com o PT”, destacou.