Ministro de uma das joias do governo brasileiro, o Ministério das Cidades é um daqueles órgãos cobiçados por qualquer grupo político. Tem visibilidade, projetos importantes por todo País e muito dinheiro para construir residências populares.

Aliás, os programas do ministério foram e permanecem sendo um importante discurso do governo petista. Gera emprego, melhora as condições de vida da população e aproxima quem o comanda e o seu grupo político de importantes construtoras.

No entanto, embora controle o órgão a partir de um entendimento político com os petistas, que foi o apoio do PSD – partido criado em 2011 -, o chefe e fundador do partido, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, não tem conseguido garantir o apoio integral da sigla nas votações na Câmara dos Deputados.

Nesse momento de conflito político e discussões sobre o impeachment da presidente Dilma, principalmente na Câmara, o silêncio do ministro e a infidelidade da bancada já chegou a ser questionado dentro do governo federal. É como se Kassab e a bancada agissem com neutralidade.

E agem mesmo, ou talvez até mais do que isso. Um deputado federal no exercício do primeiro mandato me confidenciou que Kassab tem conversado com importantes líderes da ala oposicionista do PMDB e com o PSDB. Ou seja, qualquer que seja a definição política que venha a ocorrer nos próximos dias, a estratégia da sigla parecer ser a de sobreviver mantendo-se no poder.

E o governo federal nem pode reclamar muito. Afinal de contas, nesses tempos de enfrentamento não pode pressionar fortemente os aliados, mesmo aqueles que se colocam prontos para passar pela hipotética ponte para o futuro.

Portanto, o silêncio do ministro Gilberto Kassab não é o silêncio dos inocentes. Coisas da política onde tudo tem a sua hora, inclusive sobreviver mantendo-se no poder.