Nem bem completou um ano no efetivo exercício, pela primeira vez, do cargo de deputado federal, Cícero Almeida (PSD) transparece decepção com o parlamento brasileiro completamente envolvido em suspeitas de irregularidades reveladas pelas ações da Operação Lava Jato.

Diz ele que, politicamente, esse sentimento é compartilhado por muitos companheiros de primeiro mandato. A decepção também é crescente com a condução da Câmara dos Deputados por parte do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), envolvido até a alma em tantas operações comprometedoras. Essa decepção também é extensiva ao partido que representa o poder, caso do PT, que tem aparecido de forma bastante negativa para a sociedade.

Para Cícero Almeida, o congresso brasileiro está sob suspeita. Nas duas casas, Senado e Câmara, “ninguém pode julgar ninguém. Ninguém pode atirar pedra em ninguém”. Até mesmo os partidos de oposição, especialmente o PSDB, são colocados sob suspeita. “A atuação deixa a desejar pelas acusações que quem já esteve no poder sofreu nos últimos anos”.

Ele vai além ao defender novas eleições e ao afirmar que “Se a Dilma não tem nada a ver, não está comprometida, deveria renunciar”. Só que outra saída é o Judiciário fazer uma baita limpeza na política brasileira. “O maior presente em 2015 foi a atuação do MPF e da PF. Essa operação muda tudo na política ao descobrir os envolvidos”.

De fato, o que vem sendo revelado é que a forma de financiamento das campanhas, a forma de se fazer política, a relação entre o Legislativo e o Executivo, entre empresas e governos nos  municípios, estados e no governo federal, é doente e está ruindo. Ou seja, o modelo político brasileiro explodiu.

Daí essa crise política que contamina a economia violentamente.

A saída?

Difícil saber.

Mas a democracia e a legalidade precisam sobreviver a esse terremoto.