A possibilidade de demissão do ministro da fazenda, Joaquim Levy, está descartada, pelo menos por enquanto, como garantiu o próprio membro do governo. Levy negou, na manhã desta sexta-feira (11) em Maceió, que pediria demissão em caso do superávit primário zerar, quando a previsão seria de 0,7% e ainda citou o Estado de Alagoas como exemplo para superar a crise.

A declaração do ministro foi dada antes do início do segundo dia do 159ª reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária, na capital alagoana. “Não sei de onde saiu isso, é (um assunto) irrelevante. Zerar o superávit é muito difícil, mas o que se discute aqui, não é a minha situação e sim do país de uma forma geral”, afirmou.

A questão gira em torno da meta de superávit primário para o próximo ano, fixada pelo próprio ministro em 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, existe proposta defendida por uma ala do governo de reduzir a zero a meta pré-estabelecida.

Claramente evitando entrar no assunto do momento no país, a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ministro preferiu direcionar as respostas para as medidas que precisam ser tomadas para mudança do quadro da economia nacional.

Justamente quando se falou na previsão de superávit para o próximo ano, o ministro citou Alagoas como exemplo para virada fiscal. “A questão é difícil, mas é simples de tratar. Com trabalho, cortes, avaliação do que é necessário de fato, a situação pode melhorar e Alagoas tem dado um exemplo de virada fiscal, mesmo com a crise, mesmo com a redução de FPM e FPE”, disse.

A declaração foi reforçada pelo governador Renan Filho. “Mesmo com tudo isso, a gente conseguiu respirar, o que não quer dizer que estamos bem financeiramente. Se estamos aqui comentando a questão do superávit de 0,7%, Alagoas trabalhou com 20,6%. É tudo muito difícil e a presença do ministro aqui é importante, porque Alagoas também procurar meios, assim como outros Estados, para continuar sobrevivendo”, completou.

CRISE NO PAÍS E PROJEÇÃO PARA 2016

Joaquim Levy foi questionado ainda, sobre o momento político que passa o país, se pode atrapalhar o planejamento e as metas para o próximo ano. “Não sei avaliar. Sei que temos de tomar algumas decisões importantes até o final, não podemos perder o bonde”.

SOBRE A CPMF

A crise que se estabeleceu sobre o país, abriu portas para discussão sobre o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Ao ser indagado se a tarifa seria a solução para os problemas, o ministro explicou: “A CPMF é uma medida temporária. Quando tem uma desaceleração do crescimento, pode ser uma ponte nos próximos dois ou três anos, para equilibrar as contas, principalmente no que se trata da previdência social. Pode ajudar nessa transição, mas não necessariamente de forma permanente”, concluiu.