No geral, as policias atuam preparadas para o confronto com grupos criminosos, raramente para a investigação e desarticulação. Isso é aqui e alhures, em todos os estados. Morrem bandidos e policiais, muito mais os primeiros, mas que logo são substituídos como se fizessem parte de um imenso formigueiro.

Na maioria das grandes cidades a justificativa para os crimes de homicídio é o tráfico de drogas, um negócio que movimenta bilhões de reais. O danado é que os mortos são sempre os soldados do tráfico, aqueles que recebem o produto, vendem e cobram pela entrega, o varejista, nunca o grande produtor e distribuidor, o chefão, ou os chefões.

E o motivo é simples: não há investigação. As execuções dos dois policiais do serviço de inteligência da PM, o cabo Alisson Ferreira do Nascimento e o soldado Anderson Marques Passos, ocorridas em outubro, em Maceió, são um exemplo. Até hoje não é sabido como os traficantes descobriram que os dois eram militares e o que os levou a cometerem o duplo assassinato, que acabou os condenando a morte.

Bom, e dificilmente será desvendado. Os quatro suspeitos das mortes dos militares foram mortos, três em Maceió e um em Pilar, em confronto com a polícia. A estrutura de segurança ficou satisfeita, houve justiçamento, mas de forma incompleta, sem desvendar todo um roteiro de um ramo empresarial ilegal, de grande porte e que deve ter ramificações com o mundo político, e até policial, jurídico e comercial.

É preciso, sempre, que haja esclarecimento, investigação e elucidação de todos os passos dados antes, durante e depois do ato criminoso. Os defuntos não podem falar detalhadamente sobre os seus chefes, os envolvidos, a ramificação do empreendimento. E hoje há algo excelente para qualquer investigação: a delação premiada. Uma pena que não é usada.

Bom, não há dúvida que o trabalho da segurança alagoana melhorou. Há um clima psicológico de maior tranquilidade. Mas não podemos voltar ao tempo em que "bandido bom é bandido morto". Não. Bandido morto não faz falta. Mas a investigação faz.

Quem foi o mandante? Quem dedurou os dois militares?

Perguntas sem respostas?