“É difícil ficar doente e morrer no Estado de Alagoas”. Com essa frase, o deputado Pastor João Luiz (DEM) resumiu seu pronunciamento na tarde desta quinta-feira, 08, na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). Ele usou a tribuna para criticar a saúde pública e a deficiência de cemitérios e afirmou que existe uma máfia das funerárias no Hospital Geral do Estado (HGE).

O assunto foi tratado em setembro deste ano no Blog do Davi Soares, no CadaMinuto, na ocasião da assinatura da portaria - entre o Ministério Público Estadual (MPE) e as secretarias estaduais de Defesa Social e da Saúde -, que regulamenta o Fluxo do Caminho do Cadáver. No texto, o blogueiro aponta o fato como um golpe contra o mercado de caixões e serviços funerários nos corredores do HGE.

O parlamentar fez uma grave denúncia ao se referir ao tratamento de câncer, mas não entrou em detalhes. Segundo ele, quando um paciente do SUS tem um tumor operável, a equipe médica opta primeiro pela realização de dezenas de sessões de quimioterapia. “Isso porque uma sessão de quimio custa em torno de R$ 1.700 e a cirurgia custa R$ 300, então eles preferem torrar a pessoa”, contou.

João Luiz denunciou também que pacientes com leucemia aguda estão sem tratamento em Alagoas: "Os que ingressam na justiça por meio da Defensoria Pública ainda conseguem acesso a hospital, mas muitos são mandados para morrer em casa"

Segundo ele, a maioria das pessoas que recebe em seu gabinete está em busca de saúde. “Os pedidos são desde exames simples, como o de sangue, até aos mais complexos. A demanda agora é em relação a fraldas descartáveis”, contou, fazendo um comparativo entre quem possui plano de saúde e os usuários do SUS: “Pelo plano você espera até 90 dias para fazer uma ressonância, imagina quem está no SUS e precisa do mesmo procedimento”.

Disputa de cadáver

João Luiz também chamou a atenção para a situação de cemitérios públicos em 11 municípios, entre eles Maceió, Palmeira dos Índios e Rio Largo. “Visitei 11 cemitérios. É o maior filme de terror que você pode assistir na sua vida. No cemitério São Sebastião, em Rio Largo, as pessoas roubam a madeira e deixam os caixões com cadáveres expostos à luz do dia”, relatou, criticando o fato de não existir projeto para construção de um crematório público em Alagoas.

Sobre a situação na capital, o Pastor não entrou em detalhes, mas denunciou: “Além do sofrimento da perda, a pessoa ainda tem que passar pela Máfia das funerárias no HGE, que disputam o cadáver”.

Em aparte, o deputado Dudu Hollanda (PSD) reforçou a necessidade de se construir cemitérios públicos na capital. “Os cemitérios que existem são antigos e não têm mais vagas. Estive no de Jaraguá e está superlotado. As pessoas de Maceió, mesmo morrendo, não têm onde se enterrar”.