O clima esquentou entre os deputados Galba Novaes (PRB) e Luiz Dantas (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa, na sessão ordinária desta terça-feira, 08. A razão do bate-boca foi, mais uma vez, o tempo utilizado pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Maceió na tribuna da Casa de Tavares Bastos.

Novaes se irritou após ter sido alertado pelo presidente de que teria dez minutos para falar antes do início da Ordem do Dia. “Aqui não é jardim infantil. Eu não quero que vossa excelência faça essa censura novamente. Tem que me respeitar como deputado. É bom que a sessão seja ao vivo pra mostrar a perseguição que eu sofro nessa Casa. Antes de eu falar eu já sou censurado”, desabafou.

O deputado lembrou que tem direito a se pronunciar por dez minutos, como qualquer parlamentar, e por mais dez como líder de partido e afirmou que fará uma nova representação contra a Mesa Diretora com base na gravação da sessão de hoje.

A situação ficou mais delicada quando Francisco Tenório (PMN) interveio lembrando que às 16h deveria ter início a Ordem do Dia. Nesse momento, Novaes disse que Dantas teria que chamar a polícia para retirá-lo da tribuna e alfinetou Tenório: “O deputado quer mandar mais que o presidente... Isso é o samba do crioulo doido. Dá mal-estar chegar aqui nessa Assembleia, onde algumas pessoas só querem fazer média”.

A polêmica terminou obscurecendo o tema do pronunciamento de Galba Novaes, sobre o questionamento feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) acerca da aprovação, na ALE, das contas do governo Teotônio Vilela Filho (PSDB) relativas aos anos de 2010 a 2012, sem os pareceres do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AL).

Roupa suja

Antônio Albuquerque (PRTB) sugeriu a Dantas a realização de uma reunião com os parlamentares “para que não tenha que se lavar a roupa suja diante das câmeras televisão”. Ele destacou a importância de chegar a um entendimento para deixar claro que o Regimento Interno deve ser cumprido "por bem ou por mal", citando, inclusive, o acionamento da Comissão de Ética da Casa, caso necessário.

“A Assembleia não pode continuar sendo tratada como se fosse uma coisa qualquer. Não pode se estabelecer aqui uma briga de pessoas. O debate é de ideias. Confesso que me incomoda muito em participar e estar presente em momentos que são degradantes e deprimentes para esse legislativo. Estou convencido que não fui eleito para participar de determinadas coisas”, completou Albuquerque.

A polêmica parecia encerrada, mas um novo momento de tensão ocorreu quando Dantas cortou o microfone de Galba – afirmando que o assunto seria discutido melhor durante a reunião sugerida por Albuquerque - para conceder a palavra a Ronaldo Medeiros (PT), inscrito nas explicações pessoais.

Irritado, Novaes continuou falando, mesmo com o microfone cortado, levando Dantas a exigir que o colega se comportasse: “Exijo respeito! Exijo respeito!”, bradou o presidente, também visivelmente contrariado.  

Os deputados Francisco Tenório, Dudu Hollanda (PSD), Inácio Loiola (PSB) e Medeiros se solidarizam com o presidente da ALE. Aconselhado por alguns colegas de parlamento, Galba Novaes deixou o plenário antes do final da sessão.