Raquel Pereira e David Pereira são pais de três meninas: Camila, de 11 anos, Bianca, de 8, e a pequena Júlia, de 2 anos. Amadas pelo casal, o amor pelas filhas é mesmo. O que muda, além do jeitinho próprio de cada uma delas, é o fato da filha caçula ter um cromossomo a mais no par 21 – Júlia tem Síndrome de Down. Se ao receber o diagnóstico da síndrome, os pais da pequena Júlia não sabiam quase nada sobre o assunto, hoje eles não só conhecem e buscam se aprofundar, como também criaram um canal para informar e ajudar a outras famílias. O casal, idealizador do projeto, criou um site e o chamou de Life Down – rompendo barreiras.
De acordo com Raquel, o principal objetivo do site, que surgiu no dia 31 de maio de 2015, é informar sobre o que é a Síndrome de Down. “O Life Down é um projeto que busca disseminar, através da informação, o aumento da conscientização, inclusão e a promoção de atitudes positivas às pessoas com síndrome de Down. Quando a Juju nasceu eu e meu marido não sabíamos de nada, já que também não havia nenhuma suspeita da síndrome no pré-natal. Então, mediante a minha experiência com o nascimento da Juju e a falta de informações, nós pensamos em proporcionar às mães, pais e familiares conhecimentos sobre a síndrome de Down”, explicou.

Com dificuldades para obter informações em Alagoas, Raquel disse que começou a estudar o assunto. “Quando recebi o diagnóstico da Juju comecei a estudar e pesquisar e vi que Alagoas não tinha muitas informações sobre a Síndrome de Down, principalmente, porque eu não conhecia grupos e associações. Foi quando falei com David para fazer um projeto, algo que a gente pudesse ajudar as pessoas com o intuito de informar. Então, pensamos e fizemos o Life Down, que tem como madrinha a jornalista Fernanda Honorato, a primeira repórter com Síndrome de Down no Brasil.”, explicou.
Interativo, é possível encontrar no site informações sobre a Síndrome de Down, profissionais especialistas, empresas parceiras e palestras. No espaço, o usuário também pode tirar dúvidas com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, odontólogos, psicólogos e psicopedagogos e outras especialidades médicas. “Para o Life Down, nós buscamos trazer informações com profissionais que são referência na área, são nossos parceiros, pessoas que contribuem com o site, seja com algum tipo de artigo, indicando algum profissional, respondendo a internautas que têm e queiram tirar dúvidas”, explicou David Pereira.
Para os idealizadores do site, a credibilidade da informação permite que o site cresça ainda mais. Hoje, o site tem parceiros nos estados de Pernambuco, São Paulo, Bahia, Paraíba, Goiás e Rio de Janeiro.
O nascimento da Júlia
Ao reviver o nascimento da pequena Júlia, Raquel relembra o momento em que recebeu a notícia de suspeita da síndrome. “Quando a Júlia nasceu eu estranhei porque ela não amamentava ou chorava, ela só dormia, diferente das duas minhas outras filhas. Então eu sempre chamava os médicos para entender o que estava acontecendo. Eles diziam que ela estava muito cansada do parto, que era comum, que ela não estava com fome, mas não tinha uma explicação convincente. Quando deu meia noite, uma pediatra foi olhar minha filha e começou a observá-la de um jeito que eu não estava entendendo, então ela olhou para mim e lançou; ‘olha, a sua filha tem todas as características de uma criança com Síndrome de Down e talvez ela tenha que ir para a UTI porque tem grandes possibilidades de ter problemas cardíacos”, desabafou.
Sem nunca ter convivido com uma pessoa com Down, Raquel se questionou sobre o futuro da filha. “Eu pensei: como assim, Síndrome de Down? Nunca tinha convivido com ninguém que tenha a síndrome, eu não sabia o que estava esperando. Eu não acreditei, não aceitei e de repente estava acontecendo comigo. Fiquei emocionalmente abalada. Gritei, literalmente, no quarto do hospital. Pensava: e agora como é que vai ser a Júlia no meio social, na escola, com o preconceito? Foram vários questionamentos e essas informações eu não tive. Eu não tive esse acolhimento, uma atenção sobre o que é a síndrome”, relembrou Raquel.
Depois da notícia, Raquel, mesmo após ter passado por uma cesárea, pediu a liberação do hospital e foi procurar atendimento pediátrico. Um mês depois, recebeu o diagnóstico da Síndrome de Down. “À época, eu saí do hospital e me arrependo por isso. Com a informação que eu tenho hoje teria reunido a equipe de fonoaudiólogos do hospital para me ajudar a amamentar a Júlia. A partir desse momento eu e meu marido começamos a pensar em formas de ajudar a nossa filha e a outras famílias.

Para Raquel, Júlia veio ensinar o verdadeiro sentido da vida. “Júlia é pequena e grandiosa. Ela veio para transformar nossas vidas e nos ensinar o verdadeiro sentido da vida. Ela veio para mostrar que a pessoa que tem síndrome de Down pode tudo e que possui um papel na sociedade como qualquer outra pessoa nas áreas afins, seja no convívio social, na educação, na vida espiritual, profissional, em relacionamentos e condutas comportamentais. O portal Life Down acredita nisso e tem consciência de que a síndrome de Down nada mais é que um cromossomo a mais, com suas particularidades e descobertas diárias de superação, estímulo e principalmente de amor”, finalizou a mãe da pequena Raquel.
Ciclo de Palestras
No dia 26 de setembro, haverá o II Ciclo de Palestras, que acontece no Hotel Jatiúca, em Maceió. Entre os profissionais convidados para o evento, estão o ortopedista pediátrico, Epitacio Rolim, a oftalmologista Carmem de Biase, Lays Batista, ortoptista e fisoterapeuta ocular e Sheyla de Lima, de primeiros socorros. A um custo de R$ 15,00, o evento acontece das 14h às 17h. As inscrições podem ser feitas no site do Life Down.
Quer ajudar?
Como o portal Life Down não é uma ONG ou associação e precisa angariar recursos para se manter, os idealizadores do projeto estão com vendas de camisas, a um custo de R$ 20,00.
Interessados em adquirir camisas, ajudar ou conhecer mais o portal pode acessar o site no www.lifedown.com.br ou a página do Facebook.
