O vice-presidente Michel Temer ainda deve acreditar em Papai Noel.
Depois de dizer ao país na quarta-feira, 5, que a crise política é grave, ontem, em palestra a alunos do Centro Universitário de Brasília, o articulador político do governo petista tentou amenizar as próprias palavras.
O que falou Temer:
Sobre a pesquisa Datafolha que aponta rejeição de 71% dos brasileiros à Dilma:
“Essas pesquisas são negativas para logo depois se tornarem positivas. Aliás, a presidente Dilma tem feito um trabalho excepcional exatamente para manter uma tranquilidade institucional no nosso país, então a pesquisa de hoje não será a pesquisa de amanhã. Em breve as pesquisas vão se reverter. Dilma terá um apoio extraordinário da população brasileira”.
Sobre a crise na economia:
“Crise econômica acontece e é superada e uma eventual crise política no Congresso acontece e é imediatamente superada, como será ao longo do tempo. O país tem hoje governabilidade plena. Não vamos nos impressionar com o dia de ontem nem com o dia de hoje”.
Sobre a saída do PDT e do PTB da base política de governo:
“Temos uma base aliada de muitos partidos e um ou outro pode momentaneamente se afastar. Aliás, o que declararam foi independência e isso significa que votarão de acordo com suas convicções. Temos de ter tranquilidade para harmonizar toda a base governista e, mais que isso, tem de haver preocupação com o país. E aqui a presidente tem, o Congresso tem e a sociedade brasileira tem”.
Ou Temer surtou em 24 horas, ou mentiu descaradamente aos universitários.
O que o Brasil vive hoje não são crises rotineiras na política e na economia, capazes de ser superadas com o tempo.
Os números da economia mostram um país empacado no crescimento, com inflação sem controle, alta no índice de desemprego, investimentos paralisados e medidas de governo que degolam literalmente benefícios dos trabalhadores.
A imagem da política no governo do PT e no Congresso Nacional chegou praticamente ao extremo do desgaste, movido pelo descrédito popular diante da periculosidade da corrupção que varre setores e instituições políticas e públicas no país.
A sustentação política de Dilma na Câmara dos Deputados e no Senado murcha a olhos vistos.
Não só abandonaram o governo no Congresso Nacional o PDT e o PTB, como há peemdebistas que saltaram da nave petista faz tempo.
O mais recente é o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha.
No Congresso Nacional, as derrotas do governo em votações têm sido recorrentes.
A recente pesquisa do Datafolha mostra que 71% da população desaprova o governo que Michel Temer jura ser “excepcional”, e 66% querem a presidente e o PT fora do comando do Brasil.
Talvez Temer ainda não tenha ouvido o barulho das ruas.
Ontem, durante o horário político do PT nas televisões, o Brasil gritou sua iinsatisfação em panelaços e buzinaços.
Domingo, dia 16, o país promete ir às ruas para mostrar ao governo que essa rejeição tem cara e voz.
Quem sabe, depois disso, Michel Temer, do PMDB, o primeiro na sucessão de Dilma caso haja o impeachment, perceba que a crise real é mais séria do que ele pensa.
