A política no Brasil é de fato uma inversão de valores.

Acuados pela Lava Jato, senadores e deputados investigados por possível participação na corrupção da Petrobras se voltam contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que conduz a apuração do propinoduto na estatal.

É o ataque como estratégia de defesa.

Porque, defesa mesmo, responder claramente as denúncias contra cada um deles, ninguém ainda fez.

A intenção dos investigados é desqualificar a Lava Jato e apresentar um ‘culpado’ ao Brasil. No caso, Janot.

O senador Collor, um dos suspeitos de receber propina do petrolão, já soltou todos os seus cachorros em cima do procurador Rodrigo Janot. Até já pediu o impeachment dele da chefia do Ministério Público Federal.

Mas até agora, fora os esperneios devidos, Collor não explicou porque o doleiro Alberto Youssef, um dos principais operadores do esquema de corrupção na Petrobras, depositou dinheiro em sua conta bancária.

Porque os recibos desses depósitos, a Lava Jato já tem.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é outro que a cada dia se enrosca mais nas investigações. E, assim como Collor, prefere partir para o ataque contra Janot, contra a PGR e até contra a presidente Dilma e o PT. Para ele, é tudo um pacote só, que ele pretende destruir em curto prazo.

Os investigados arrotam que há excessos na Lava Jato.

Certamente há.

Mas o excesso está, sobretudo, na organização criminosa dentro da Petrobras que pode revelar desvio de quase R$ 20 bilhões do dinheiro da estatal.

Em benefício de que? De quem? Quem vai pagar essa conta ao Brasil? Haveremos de ter essas respostas?

O mandato de Rodrigo Janot como procurador-geral da República acaba em setembro deste ano e sua atuação na Lava Jato pode impedir que ele seja reconduzido ao cargo.

Pelo menos, é nessa linha que estão trabalhando os investigados do caso.

Lamentável que ainda seja assim a prática política em nosso país.

Em tempo: na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde Janot será sabatinado se ele for indicado pela presidente Dilma Rousseff, nove dos 27 senadores titulares estão na mira da PGR, o que deve acirrar os ânimos contra o chefe do Ministério Público.