Uma fala do secretário da Defesa Social e Ressocialização, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, foi fundamental para o momento de tensão e de ampliação da sensação de insegurança que as mortes de três policiais levaram à sociedade alagoana e aos agentes de segurança. Na tarde desta terça-feira (21), ao apresentar acusados de envolvimento no assassinato do sargento da Polícia Militar, Dietmarx José da Silva, o secretário exaltou a simbologia da captura dos acusados e destacou que “a polícia não pode sair por aí exterminando”.

Um discurso responsável, de quem sabe que o ódio cega a alma e produz abusos, estes inadmissíveis no exercício das políticas de segurança pública.

Alfredo Gaspar relatava as ações do Estado, em resposta aos crimes que também vitimaram outros dois agentes de segurança, entre quinta-feira (16) e domingo (19), quando lembrou que a polícia matou dois suspeitos de executar o policial civil Carlos Alfredo de Oliveira Vanderlei. Segundo o secretário, os acusados abatidos em uma pousada próxima à Rodoviária de Maceió, no Feitosa, fugiriam do Estado na manhã de segunda-feira (20). Ele disse que os policiais reagiram apenas em resposta à forma como foram recebidos nas ocasiões distintas, na ação na pousada, e na prisão dos envolvidos na morte do sargento Dietmarx.

“A polícia cumpriu seu papel quando prendeu hoje, assim como quando confrontaram ontem. Essa é a polícia que nós queremos, a polícia que age com responsabilidade, de acordo com as circunstâncias reais. A polícia não pode ser leniente, nem covarde. Mas não pode sair por aí exterminando”, afirmou o secretário, durante entrevista coletiva.

Justamente no momento em que policiais passaram a ser alvos de criminosos – assim como também é o restante da população alagoana – a cúpula da segurança pública de Alagoas sinaliza para um ajuste no discurso, ao encontro da propagação de uma mensagem pacificadora, ao invés de uma fala acirradora de ânimos.

Até a segunda-feira (20), por exemplo, Alfredo Gaspar falou que o aparato de segurança pública daria respostas, em “um duelo com o crime”. Algo falsamente legitimado pelos homens que tombaram dos dois lados de uma contraditória guerra por paz.

Assim como a mais recente fala de Alfredo Gaspar, o comandante da Polícia Militar, coronel Lima Júnior, também destacou os rumos do equilíbrio na condução da segurança pública: “É preciso destacar o trabalho da inteligência. Ninguém aqui partiu para a vingança, não representamos a política do corpo  a corpo. Será sempre na medida de força necessária em cada ação”, afirmou Lima Júnior.

Sobre "acabar com a bandidagem”

Mais cedo, o governador Renan Filho (PMDB) já havia afirmado que o Estado não se intimidaria com o fato de “a bandidagem estar recebendo a polícia com tiros”. Fez um discurso que, de certa forma, foi na contramão da fala de Alfredo Gaspar, ao prometer “acabar com a bandidagem”. E ainda deu garantias – no estado que tenta deixar o vergonhoso título de mais violento do Brasil – de um feito improvável de ocorrer na maioria das civilizações do planeta: “acabar com a violência”.

“A bandidagem não vai nos intimidar com isso. Nosso aparato de segurança está preparado. Nossa tropa está em constante alerta para acabar com a bandidagem. As polícias vão se unir para acabar com a violência no estado”, disse Renan Filho.

Mais importantes do que discursos são as ações eficazes de segurança pública, principalmente as que atuam não apenas no âmbito da repressão e unem muito mais do que polícias na prevenção à violência. Mas pregar a paz e a atuação estritamente institucional e profissional, sem firulas ou ranços coronelistas, mesmo em momentos de comoção em que aflora o mais nocivo desejo de vingança na sociedade é demonstrar claramente o que se espera de uma Alagoas pacificada. 

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