O PMDB colocou de fato os dois pés fora do governo do PT.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, já se declarou oposição, disse que existe no Palácio do Planalto um “bando de aloprados”, e tirou da gaveta pedidos de impeachment contra a presidente Dilma e de CPIs que deixam o governo petista desconfortável.
Agora, o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, pela TV do Senado e em suas redes sociais dá o tom mais grave à crise política do país e a credita ao governo de Dilma e do PT.
O discurso do senador contra o ajuste fiscal não é novo, mas a reafirmação dessa crítica no momento em que o presidente da Câmara dos Deputados escancara seu rompimento com a presidente Dilma, coloca mais lenha na fogueira contra a já desgastada imagem do governo petista.
Renan Calheiros tem atacado sem piedade o ajuste fiscal de Dilma.
Dessa vez, disse que o ajuste é “tacanho”, e o comparou a um cachorro atrás do rabo. Ou seja, não leva a lugar nenhum.
Mas foi a análise que fez do atual momento político no Brasil que deve ter deixado a presidente Dilma de ‘orelha em pé’:
“Estamos na escuridão assistindo a um filme de terror sem fim e precisamos de uma luz indicando que o horror terá fim. O país pede isso todos os dias. Não diria que será um agosto ou um setembro negro, mas serão meses nebulosos”.
Há quem diga que a maior motivação dos posicionamentos do senador Renan Calheiros e do deputado Eduardo Cunha, os peemedebistas que conduzem o Congresso Nacional, é por conta do envolvimento de ambos na Lava Jato.
Talvez sim, talvez não.
O fato é que os dois têm força política dentro e fora do PMDB para tocar fogo no circo. E me parece que a política econômica empacada da presidente Dilma pode ser o gás necessário para isso.
Trechos da fala do presidente do Congresso Nacional:
- O ajuste é insuficiente, tacanho. Até aqui quem pagou a conta foi o andar de baixo. Esse ajuste sem crescimento econômico é cachorro correndo atrás do rabo. Não sai do lugar. É enxugar gelo até ele derreter. É preciso cortar. Cortar ministérios, cortar cargos comissionados, enxugar a máquina pública, fazer a reforma do Estado e ultrapassar, de uma vez por todas essa prática superada da boquinha e do apadrinhamento. Os resultados do ajuste são modestos, muito aquém do prometido. O Congresso, majoritariamente, é refratário a aprovar novos tributos ou impostos. A sociedade já está no seu limite suportável com tarifaços, inflação e juros. Estamos num momento aterrador. Uma retração na economia. O ajuste está se revelando um desajuste social. Ele é um fim em si mesmo. Ele nem aponta, nem sinaliza, nem indica, nem sugere quando o país voltará a crescer.
Ao prestar contas do trabalho do Senado nos primeiros seis meses deste ano e falar sobre o segundo semestre, Renan Calheiros voltou a cutucar a crise na economia:
“Este semestre, além do ajuste fiscal do governo que consumiu boa parte das energias do Congresso, deliberamos e aprovamos mais de 230 proposições. Foram mais de 100 projetos de lei e 6 PECs. No segundo semestre devemos avançar mais ainda na pauta federativa e na conclusão da reforma política e na reforma do ICMS. Teremos um semestre difícil, concentrando agendas sensíveis, dificuldades na economia, análise de vetos, CPIs, a lei de responsabilidade das estatais, a autoridade fiscal e apreensões com os indicadores econômicos”.
Pero si, pero no, é aguardar agosto, com previsão de nebulosidade.
