Desde sua fundação, a Barra de São Miguel é tratada pelo Governo Federal como uma cidade pequena, de pouco mais de sete mil habitantes. Essa conta, apontada pelo IBGE, só tem trazido prejuízo à cidade, que tem mais de seis mil domicílios, centenas de ruas, mais de quinhentas empresas, cinco postos de gasolina e mais de mil e quinhentos leitos de hotel.

Para se ter uma ideia, outras cidade alagoanas que recebem o mesmo FPM – Fundo de Participação dos Municípios (0,6 de alíquota) não precisam dispor do número de servidores e serviços que a Barra de São Miguel dispõe. De segunda a sexta, por exemplo, a Barra chega a ter sete médicos: três no PSF, dois plantonistas (da Policlínica 24h) e mais dois especialistas. A Barra também possui mais de 50 garis, para manter a limpeza pública satisfatória, além de uma frota que passa de 30 veículos distribuídos entre a Saúde, a Educação, a Infraestrutura e a Administração.

Com o agravamento da crise e com as quedas sucessivas nos repasses financeiros do Governo Federal, cidades como a Barra de São Miguel tendem a falir, literalmente.

A Prefeitura tem tomado todas as medidas necessárias para cortar despesas e aumentar a arrecadação, mas enquanto a ação de atualização da alíquota do FPM, que o município entrou na Justiça Federal, não for julgada, a Barra de São Miguel continuará sofrendo e crescendo lentamente. O que é lamentável para uma cidade com um potencial tão grande.

Hoje a cidade tem muitas obras e milhões de Reais em convênios estão sendo executados, mas esse dinheiro todo só pode ser gasto com o que foi definido junto aos Ministérios, o que impede a Prefeitura de fazer outros investimentos importantes e até de dá os reajustes salariais que os servidores tanto precisam. A crise é grande e os cortes também estão sendo na mesma proporção.