O PMDB é hoje o maior partido do país e, também, o de Alagoas. Seu líder, Renan Calheiros, presidente do Senado, tem se destacado no cenário nacional nas disputas, cada vez mais acirradas, com o PT, aliado de longas datas. Mas parece estar flertando com outro aliado, ainda mais antigo, o PSDB.

O deputado federal Cícero Almeida (PRTB) não admite interesse em voltar à Prefeitura de Maceió, em 2017, mas também não nega, deixando sempre “nas mãos do povo” seu futuro político. “Se eu sentir que é a vontade do povo, que é realmente isso que a população quer, não tenha dúvidas de que estarei pronto para atender aos anseios da população”, revelou.

Almeida confirmou ainda à reportagem que “há um compromisso do senador Renan Calheiros”. Segundo Almeida, o compromisso firmado é que em 2016 ele seria o candidato em comum acordo com o PMDB. “Esse compromisso foi feito entre eu, ele [senador Renan Calheiros], [chefe do Gabinete Civil do Estado] Fábio Farias e [secretário de Transportes e Desenvolvimento Urbano] Mozart Amaral, na casa de Mozart”, confirmou Almeida.

Mas Almeida reconhece que em política não há certezas. “Se será cumprido, eu não sei, mas há esse compromisso entre nós. Eu não posso falar por eles. Sou parceiro político dele [senador Renan Calheiros], não só nas eleições dele como senador, mas também nas eleições do filho dele para governador, então não pode ser diferente”.

Já o atual prefeito Rui Palmeira preferiu não conjecturar a respeito. “É muito cedo para a gente ter essa noção [de quem o PMDB apoiará]”. Mas reconheceu que estiveram em palanques distintos nas últimas eleições, quando não apoiou Renan Filho. “Todo mundo sabe que apoiei o Biu”, disse Rui, ao revelar não haver portas fechadas. “A gente está buscando uma aproximação institucional, então nas vezes em que nos encontramos não falamos em parceria político-partidária, pelo menos não neste momento. Falamos sobre questões inerentes à cidade de Maceió”.

Sem descartar a possibilidade, Rui Palmeira foi enfático: “O momento certo para isso vai chegar, vai haver este debate. Mas acho que é cedo para entrarmos neste debate se o PMDB poderia me apoiar ou não”. Já o presidente do PSDB em Alagoas, o ex-governador Teotonio Vilela Filho, por meio da assessoria do partido apenas disse que “não há conversas nesse sentido”.

Aliança do PMDB com o PSDB pode seguir rumo natural em Alagoas

Com a aproximação das eleições municipais, as especulações aumentam em Alagoas. Aqui, não é novidade a relação histórica que há entre as famílias Calheiros e Vilela. O ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e Renan Calheiros (PMDB) romperam politicamente logo que Vilela assumiu seu primeiro mandato no governo do Estado.

Rompimento que sempre foi político, a amizade entre as famílias ficou preservada. E, apesar de todos negarem, Renan Filho (PMDB) venceu as eleições para suceder Vilela com alguma facilidade, também pela forma como o PSDB foi conduzido pelo então governador tucano. Se havia um “combinado” entre os caciques ninguém jamais saberá. Mas pareceu.

Agora que as especulações em torno das próximas eleições municipais estão à toda velocidade e o PMDB tem ocupado cada vez maior espaço nos noticiários políticos, já se imagina quais serão os próximos passos do senador e do governador do estado. "Aliança nacional PMDB-PSDB vai começar por Alagoas", disse um correligionário à reportagem.

Este mesmo filiado do PMDB revelou que aposta “muito no trabalho do Renan para unificar todos os lados”. E ninguém duvida da capacidade de aglutinação dos Calheiros. Mas para isso é preciso haver interesse e, com o governo nas mãos, qual o tamanho do interesse pela prefeitura de Maceió? Valeria à pena conchavos políticos em tempos de crise econômica com a máquina estatal? 

Rui demonstra estar confuso ao falar a respeito de seu futuro no PSDB

Na edição do CadaMinuto Press que foi às bancas na semana passada há reportagem sobre as declarações que o prefeito Rui Palmeira deu sobre as especulações envolvendo uma possível saída sua do PSDB. “Neste momento, eu não tenho interesse de deixar o PSDB. Nós conversamos [com PSB], estamos conversando, mas neste momento não tenho interesse de deixar o PSDB”.

Rui também confirmou que recebeu convite de José Thomaz Nonô para ir para o Democratas, mas que também não aceitou. E concluiu: “Neste momento, como estamos perto do prazo de um ano antes da eleição, que é o prazo para mudança de partidos, então é o momento das especulações, quem vai para qual partido, quem sai de partido A, quem vai para partido B. então a gente ainda vai ouvir muita coisa daqui para setembro”.

Esta declaração o prefeito deu à reportagem do CadaMinuto Press no dia 08 deste mês de julho. Poucos dias depois, no dia 13, em entrevista coletiva à imprensa, o prefeito disse que não havia nada definido e que estava esperando as medidas que o Congresso adotaria sobre a reforma política – e a possibilidade de mudança de partido.

Vê-se que Rui Palmeira está mesmo confuso sobre seu futuro político. Ficando no PSDB há possibilidade – hoje viabilizada até nacionalmente – de aliança com o PMDB. Mas saindo do PSDB, esta possibilidade não se exaure. No entanto, a reforma política que o Congresso está prestes a implantar pode ainda tecer modificações sobre fidelidade partidária e verticalização dos apoios. Historicamente este não é um problema em eleições municipais, mas até que a redação final da reforma seja publicada ficará a incógnita. 

Rusgas estão sendo superadas por Benedito de Lira e Renan Filho

Benedito de Lira (PP) foi o principal oponente de Renan Filho (PMDB) nas eleições ao governo do estado, em 2014. O peemedebista venceu ainda no primeiro turno, mas a campanha foi bastante desgastante para todos e Biu, como é conhecido o senador do PP, não parece ter digerido bem o processo e o resultado.

Na condição de senador, Biu de Lira tem mantido relações institucionais com Renan Filho, em regra em Brasília, e sempre para tratar dos interesses do Estado. Mas, além desses encontros, Renan também recebeu – institucionalmente – Arthur Lira, filho de Benedito de Lira e deputado federal pelo PP, em solenidade no Palácio da República, inclusive concedendo-lhe a deferência de compor a mesa.

Na ocasião, o governador aproveitou a oportunidade para um chamamento: “temos de trabalhar unidos com a bancada federal. Todos os deputados e senadores que quiserem trabalhar por Alagoas são bem vindos ao Palácio”.

Mas parece que a relação que estava amadurecendo continua com arestas a serem aparadas. Em recente desabafo por meio de sua rede social, o deputado Arthur Lira não economizou nas acusações a Renan Filho.

“Tenho tentado ao longo de mais de seis meses, tentar resolver uma emenda para atender às prefeituras do sertão e agreste do nosso estado como a aquisição de carros pipa e caçambas e caminhões, parte final das minhas emendas de 2013!! Os recursos já se encontram depositados na conta do estado desde janeiro!!! E numa atitude pequena como é o desempenho do seu Governo, o governador perseguidor não autoriza a liberação da emenda!! Que a mim pessoalmente não atinge em nada mas aos nossos amigos do Agreste e do Sertão, fazem muita falta !!”.

Lira ainda completou em tom de ameaça: “Vou divulgar de agora em diante todos os atos de miudeza e mesquinharia deste governo!!!”. A imprensa alagoana vem conjecturando a possibilidade de Renan Filho costurar uma aliança com Rui Palmeira para as eleições em 2016. O que ainda não foi negado pelo governador. A reportagem não conseguiu contato com o governador, quando este se encontrava em Brasília, cumprindo agenda institucional, e sua assessoria informou que ele não poderia responder aos questionamentos.

Mas Rui foi categórico com a reportagem ao afirmar que se a eleição fosse hoje seu vice continuaria sendo Marcelo Palmeira (PP), portanto, o apoio de Renan não deve significar, em princípio, a exclusão do PP. “Não tenho porque mexer nisso. É um vice que tem me ajudado. O PP tem me ajudado bastante. Não teria porque haver hoje qualquer tipo de mudança”, finalizou o prefeito.