Quem passou pela Praça Palmares, no Centro de Maceió, na manhã desta segunda-feira (06) e olhou para o Edifício Palmares deve ter notado que ele apresentava algo de diferente. É que no final de semana vândalos invadiram o imóvel e furtaram toda a estrutura de alumínio, vidros e outros materiais, deixando no local apenas a base de concreto.
Nossa reportagem esteve no local nesta manhã e constatou que a invasão deixou para trás estilhaços de vidro e muita sujeira para as equipes da Slum. O gari Marcondes dos Santos disse que esta é a terceira invasão ao prédio em menos de 15 dias. No dia 25 do mês passado, 16 moradores de rua foram detidos pela Polícia Militar acusados de vandalismo. “Como eles arrancaram os alumínios da estrutura, muito vidro caiu dos andares e ficou espalhado pela calçada. Estamos retirando tudo para que ninguém se machuque”, disse.
Mesmo com a depenação total do prédio, nenhuma equipe de policiamento foi vista para evitar que o que sobrou do Edifício Palmares sirva de banheiro ou espaço para uso de drogas.
O Secretario de Prevenção e Social e Violência, Jardel Aderico, esteve no local junto com uma equipe para observar uma forma de ajudar moradores de rua da região e evitar que o prédio abandonado vire um ponto de tráfico de drogas.
Seu José Teodoro passava pelo local e lamentou a invasão ao prédio. “O governo deveria ter realizado uma intervenção, colocado policiamento para que ninguém entrasse e fizesse isso. É lamentável ver um prédio desse porte nesta situação”, comentou.
O prédio que já funcionou como sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Previdência Social (INSS), irá a leilão no próximo dia 28 de julho após passar 37 anos em atividade.
A desocupação do prédio foi determinada pela Justiça Federal em Alagoas (JFAL) em maio do ano passado até que a estrutura fosse demolida ou reformada. A previsão era que isso ocorresse em um prazo de até 12 meses. Segundo a Justiça Federal, caso não haja o cumprimento da determinação, será aplicada uma multa diária no valor de R$ 1 mil.
O Ministério Público Federal também havia se manifestado por meio de uma Ação Civil Pública (ACP) com base nas péssimas condições estruturais do imóvel. O juiz federal titular da 3ª Vara, Paulo Machado Cordeiro, afirmou á época que os laudos emitidos após as perícias da Polícia Federal e CREA/AL não eram conclusivos com relação à possibilidade de desmoronamento do imóvel, que eles apontavam para a necessidade de reparos na estrutura do edifício em curto prazo.
Em julho de 2013 famílias integrantes do Movimento Via do Trabalho ocuparam o local alegando que não possuíam outro lugar para se alojarem. Elas sofreram reintegração de posse que contou, inclusive, com a presença do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope).



