O cartola alagoano e prefeito de Boca da Mata, Gustavo Feijó (PDT), evitou ao máximo expor a óbvia proximidade com o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, quando este foi preso na Suíça, em 27 de maio, após o FBI encontrar indícios de sua ligação com um esquema de corrupção instalado na entidade máxima do futebol mundial a FIFA. Agora, o vice-presidente da CBF já demonstra desenvoltura ao defender o aliado político. Mas recorrer ao exemplo de “injustiça” vivido pelo seu outro aliado político, o senador Fernando Collor (PTB), pode não ter sido uma boa estratégia de defesa.
Foi o que fez Feijó, ao ser entrevistado pela Rádio Gaúcha, na reportagem especial “Coronéis do Futebol”, publicada no último dia 25 deste mês de julho. A informação repercutiu na imprensa alagoana em reportagem de Paulo Chancey Júnior, publicada na Edição nº 89 do CadaMinuto Press. O que talvez Feijó não tenha notado é que a comparação entre Marin e Collor, não ajuda nem ao ex-chefão da CBF, nem ao ex-presidente da República, que foi alvo de um impeachment em 1992, cujas denúncias não resultaram em condenações em ações julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Precisamos ouvir o lado do Marin. Não podemos colocá-lo como culpado. Existem denúncias do FBI, mas ele tem o direito de se defender. Eu já vi um alagoano sofrer impeachment e depois foi absolvido em todas as cortes. E todos sabem que há hoje no país situações piores que ficam impunes”, completa.
Collor está ilhado pela enxurrada de escândalos dos desdobramentos do inquérito da Operação Lava Jato e certamente não se sentiu feliz ao ter seu nome ligado a outro escândalo, com o qual não teve ligação alguma apurada. Marín, que já tem seus próprios problemas, também não deve se sentir agradecido pelo fogo amigo disparado por Feijó, ao compará-lo a Collor, que volta ao olho do furacão ao ser supostamente citado em depoimentos do novo delator do petrolão, o empreiteiro Ricardo Pessoa, como beneficiado com R$ 20 milhões do esquema.
Ao afirmar, em sua defesa, que aguarda as providências do “tempo senhor da razão”, para superar os novos obstáculos de seu caminho, Collor bem lembrou: “Minha luta, como todos sabem, é uma luta solitária, mas continuo às claras”. A companhia de Feijó talvez não seja a melhor.
Feijó se mostrou um jogador imprudente ao chutar contra o próprio gol, ainda mais em um campeonato em que costuma acreditar ser vencido pelo WO, quando a Justiça não entra em campo. Certamente, o "coronel" Feijó precisa treinar mais a pontaria para ter chances de se manter convocado nas próximas copas da política, seja partidária ou da cartolagem.
