Uma comitiva de senadores – de oposição – foi a Caracas, na Venezuela, saber sobre as condições das prisões de políticos de oposição ao regime de Maduro – o continuísmo de Chaves, que chegou ao poder ainda em 1998 –, apoiado pela presidente Dilma e o PT.
A oposição daqui foi saber da oposição de lá. Vejo como legítima a preocupação com presos políticos de um país que mantém estreitas – diria: estreitíssimas – ligações com o governo brasileiro.
Governo este que o PT, o Partido dos Trabalhadores, originalmente de esquerda, que sempre se orgulhou de sua elite intelectual, a qual contribuiu com sua criação e com a composição de suas bases ideológicas.
Elite intelectual que se orgulha de ter surgido nos porões da ditadura. Inclusive a presidente Dilma, Coração Valente, é uma sobrevivente da resistência ao regime ditatorial militar que comandou o Brasil por mais de duas décadas. A presidente foi uma presa política. Ela e muitos de seus companheiros, como José Dirceu e Genoíno.
Ambos, aliás, que resgataram, junto à militância de seu partido, sua condição de preso político, quando foram presos por crime de corrupção – leia-se, mensalão.
Genoíno, de punho cerrado, ensaiou uma releitura dos Panteras Negras, que com o mesmo gesto, nos Estados Unidos da década de 1960/70, lutavam contra a opressão sofrida pelos negros de então. Genoíno queria fazer crer, quando preso por corrupção, que também estava sendo oprimido, perseguido, talvez por representar ainda aquele preso político do regime militar. Mas agora, Genoíno seria, no máximo, vítima de um Tribunal democrático.
Os mesmos que consideram os presos políticos – seus companheiros – verdadeiros heróis, acham agora que os senadores – de oposição, frise-se – estão sendo demagogos, oportunistas. (E quem são oportunistas mesmo?).
Não bastasse o show de incoerência proporcionado, agora – diante da operação Lava Jato e a prisão de “um sem número” de grandes empresários/empreiteiros – a militância do mesmo partido historicamente de esquerda, o PT, resolveu defender aqueles que – desde que a “luta de classes” ganhou espaço nos debates filosóficos e sociológicos dos marxistas – sempre oprimiram os pobres trabalhadores.
Pasme, os empresários, acumuladores de riqueza, exploradores da força de trabalho alheio, viraram “os mocinhos”. Pela coerência daqueles que são genuinamente – sem trocadilhos – de esquerda, os vilões estão regenerados. Foram regenerados pelas “doações” de campanha (aspas porque doação pressupõe ato unilateral e a Polícia Federal tem mostrado que não é bem assim, havia o “toma lá, dá cá”).
Difícil, muito difícil levar certos argumentos petistas a sério. Difícil evitar as generalizações. Mais difícil ainda não se manifestar diante de tanta “coerência”. Fácil mesmo é defender o direito dos “new left” - bem à brasileira - de mostrarem sua verdadeira face. Avante, Companheiros!