De fato, o mar não está pra peixe para o PT.
A um pequeno grupo de padres e dirigentes de entidades religiosas, quinta-feira à noite, em São Paulo, o ex-presidente Lula expôs exatamente como vê e como se sente hoje com relação ao governo Dilma e ao PT:
“Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto. Todos estão numa situação muito ruim”.
O que motiva o desânimo de Lula, segundo matéria hoje em O Globo, é uma pesquisa interna do partido que revela que a crise se instalou no coração da legenda, o ABC Paulista.
“Acabamos de fazer uma pesquisa em Santo André e São Bernardo, e a nossa rejeição chega a 75%. Entreguei a pesquisa para Dilma, em que nós só temos 7% de bom e ótimo”, disse Lula aos religiosos.
Segundo Lula, os números ruins que ele levou para Dilma foram para motivá-la a sair do “volume morto”. Ele contou o que falou para a presidente:
“Isso não é para você desanimar, não. Isso é para você saber que a gente tem de mudar, que a gente pode se recuperar. E entre o PT, entre eu e você, quem tem mais capacidade de se recuperar é o governo, porque tem iniciativa, tem recurso, tem uma máquina poderosa para poder falar, executar, inaugurar”.
Mas o ex-presidente tornou públicas algumas queixas contra Dilma.
Para ele, a presidente deixou o governo mais distante dos mais pobres.
“Na falta de dinheiro, tem de entrar a política. Nesses últimos cinco anos, fizemos muito menos atividade política com o povo do que fizemos no outro período”, apontou Lula, referindo-se às conferências nacionais com grupos sociais que a presidente não continuou em sua gestão.
“Falar com a população não é agendar para falar na televisão”, criticou o ex-presidente, reclamando até que Dilma tem dificuldades para ouvir conselhos, mesmo os dados por ele.
Dos religiosos, Lula recebeu a recomendação de convencer o partido a voltar à antiga liturgia e se aproximar mais dos trabalhadores.
Houve queixas e críticas ao governo, a preocupação com o mandato de Dilma e com menos política do partido, mas o assunto em vigência na pauta política, ninguém tocou: corrupção.
O encontro aconteceu no Instituto Lula, que está sendo investigado pela Lava Jato, por ter recebido R$ 4,35 milhões em patrocínio a palestras dadas pelo ex-presidente em alguns países, de empresas envolvidas com o esquema de corrupção na Petrobras.
Ou seja, nem todo pecado vai ao confessionário.
(com informações de O Globo)
