Em nome da proteção ao meio ambiente, o jovem secretário da administração tucana da Prefeitura de Maceió, David Maia, 28 anos, peitou as grandes redes de supermercados e enfrentou outros interesses econômicos para cumprir seu dever à frente da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). Por conta de sua atuação, em apenas seis meses, seu nome já ganhou projeção política positiva; um caso isolado na gestão de Rui Palmeira (PSDB). E, há cerca de um ano do início da campanha eleitoral de 2016, David Maia vem sendo assediado, com certa insistência, para se desfiliar do DEM e ingressar no Solidariedade.

Amigo do secretário, que indicou para ocupar o espaço conquistado na administração tucana, o deputado federal João Henrique Caldas (SD) estaria pressionando David Maia para que este retribua a parceria firmada, fortalecendo o Solidariedade em Maceió, para as eleições de 2016. Mas o líder do DEM em Alagoas, José Thomaz Nonô, já avisa: “David fica onde está”.

O deputado federal conhecido como JHC admite o convite feito ao titular da Sempma. O parlamentar, para o qual David Maia trabalhou durante a campanha de 2014, disse que está disposto a recebê-lo da melhor maneira possível. Ainda mais por considerar que sua atuação vem sendo reconhecida pela população e elogiada pelo prefeito.

“Ele tem coragem cívica, com a qual me identifico. E a gente tem que estimular e incentivar a juventude para vir ao Solidariedade. O que a gente puder fazer para que isso aconteça, a gente vai fazer. Não sinto resistência dele. Creio que o pensamento dele é de um desafio novo para conquistar novos objetivos”, disse JHC.

O Blog recebeu a informação de que David Maia tem recebido mensagens e ligações com a insistente pergunta: “Quando assina a ficha do Soliariedade?”. Mas JHC nega a existência de pressão, nem indiretamente, pelo fato de o secretário ter sido uma indicação sua para a administração tucana.

“Essa questão partidária não foi debatida, porque, para mim, não havia essa necessidade momentânea de se fazer alguma mudança. Até porque ele tem um perfil técnico. Agora, a partir do momento que existe um desejo de se ingressar na política partidária como protagonista, obviamente, vamos receber com a maior das boas intenções. Não há uma pressão. Há uma vontade de recebe-lo, se for o desejo. A decisão é cada um”, garantiu JHC.

Filho do ex-prefeito de Quebrangulo e presidente da ADEAL, Marcelo Lima, David Maia também nega ter sido pressionado pelo Soliariedade ou por JHC. Mas lembra que sua história partidária e ideológica com o DEM vem dos tempos que o partido ainda era denominado PFL, quando se filiou aos 16 anos.

“Sou de ideologia liberal, fui convidado pelo João Henrique e estamos analisando. Sempre fui partido mas nunca concorri a nada. Essa parte sempre ficou a cargo do meu pai. E não tem nada certo, não. Até porque ainda está muito cedo para analisar qualquer coisa. João Henrique é um amigo, seu partido cresceu em Alagoas. Estamos conversando. Não há pressão. Até porque eu já era do Democratas, quando fui convidado para ser secretário. Mas é natural que ele, como companheiro, queira me ver no seu partido”, disse David Maia.

Consultado sobre o assédio do Solidariedade ao integrante de seu partido, José Thomaz Nonô foi enfático ao afirmar: “David fica onde está”. E prosseguiu, depois de destacar o papel do secretário na Sempma e no PFL Jovem (Juventude Democratas): “Pelo que conheço, pela relação que sempre teve com o partido, digo que Davizinho vai permanecer no DEM. Ainda não conversei com ele, mas tenho certeza de que ele não sai do Democratas. Ele terá o espaço que desejar ter e é um nome importante no partido”.

Há alguns dias mostrou crime ambiental cometido pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) na orla marítima de Maceió, foi apoiado pelo prefeito Rui Palmeira e provocou a reação do governador Renan Filho (PMDB). Caso continue se destacando na política e na gestão pública, será um nome capacitado para ter destaque nas eleições de 2016, seja em Maceió ou em sua região, de Quebrangulo.

Restam quatro meses para o limite legal para mudança de partido, exigido pela Legislação Eleitoral, para quem deseja disputar as eleições. Até lá, muitas convicções podem ser abaladas pelo assédio, pelo comodismo, as rasteiras, e os cantos de sereias, a enfeitiçar as vaidades envolvidas na política. Ganha quem souber decidir o que fazer, no momento certo. E experiência não falta ao jovem David Maia. Com mais de dez anos de vida partidária e apenas seis meses de atuação na Sempma, haverá de saber o rumo de suas águas, se seguem para o esgoto ou para raros mananciais da política partidária de Alagoas.