Qual o problema do Brasil?

Que estamos em crise não é mais novidade. Mas a nossa crise vai além da econômica e política. A crise do Brasil é moral, ética e de princípios. A quem serve essa onda maniqueísta de dividir o país em bons e maus, em certos e errados? O ser humano é uma complexa teia que reúne diversas personalidades, influências e formações. E esta é a graça de tudo!

Quem se vale de um povo mumificado? Não podemos nos render à facilidade do discurso que se diz respeitador de diferenças, mas alimenta um país onde pensar diferente lhe faz um vilão, alguém a ser hostilizado, menospreza e petrificado. Conviver com as diferenças e os diferentes é uma capacidade humana, nas mais variadas acepções que a palavra pode ter.

Temos que agir com humanidade, generosidade e compreensão, principalmente com os diferentes. Afinal, ser compreensivo com nossos filhos é muito fácil e conveniente, mas ser com os marginalizados e excluídos é difícil e deve ser encarado como obrigação. Já passou de todos os limites essa briguinha boba de desenho animado. Onde os mocinhos combatem os bandidos e no final o “bem sempre vence”.

O bem não está em mim ou no outro. O bem estará em todas as pessoas, assim como o mal. Por isso que todos são passíveis de erros e a sabedoria está em conseguir reconhecer os próprios erros, aprender com eles e evitar repeti-los. Quem disse que crescer era fácil? Crescer não é sinônimo de amadurecer. Há muitas décadas as mulheres lutam por direitos iguais aos dos homens, há mais tempo ainda os negros lutam por reconhecimento dos seus direitos.

Não é de hoje que os homossexuais existem. E, assim como ser mulher ou negro, ser gay também não é uma doença, ou algo a ser combatido, mas simplesmente aceito. Quando, há muitas décadas, o cigarro ganhou status de glamour e ascendência social, todos queriam fumar, e não bastou que os pesquisadores atestassem seus malefícios para que a sociedade parasse de fumar de uma hora para outra.

Todas as mudanças levam tempo, mas um dia elas são aceitas e tratadas como natural. Não adianta que nos comportemos como donos da verdade, pois não somos. Somos saudosistas do status quo ante às mudanças que fingimos aceitar. Por ora, sempre será difícil aceitar determinadas mudanças e, enquanto isso, é preciso ponderar muito antes de apontar o erro ou o fracasso alheio. Pois todos cometem seus pecados e mantêm seus segredos.

Não sejamos simplistas. Não há bem e mal, não há certos e errados, não há lados a serem assumidos. Deve haver bom senso, humildade e generosidade para que façamos escolhas mais altruístas e destituídas de preconceitos, não só sexuais, mas principalmente morais, éticos e, até, econômicos. Há espaço para tudo e para todos, desde que não falte respeito.