Na sessão ordinária desta quinta-feira, 11, o deputado Pastor João Luiz iniciou um longo debate em plenário ao questionar, de forma contundente, alguns pontos da auditoria que está sendo realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na folha de pagamento dos servidores efetivos (ativos, inativos e pensionistas) da Assembleia Legislativa. O levantamento começou essa semana.
Frisando não ser contra a auditoria, o parlamentar questionou se a cúpula do legislativo terá forças para enfrentar as pressões e adotar as medidas porventura recomendadas pelos técnicos da Fundação.
“Terá força para demitir todos os que terão que ser demitidos? Terá força contra quem os colocou na Casa? Quando a gente vai mexer na folha, a gente vê que não são os pequenos que estão na folha... São os grandes, de famílias grandes”, questionou, demonstrando preocupação com o período que a Casa pode viver daqui para frente: “Vai ter gente atentando contra a Mesa”.
Ao falar sobre isso, o parlamentar lembrou que, quando presidiu a Câmara Municipal de Maceió, anulou 174 aposentadorias após o resultado de uma auditoria realizada na folha de aposentados e, depois disso, precisou de segurança pessoal para ele e seus familiares, devido às ameaças de morte recebidas.
Servidora “carioca”
O pastor pontuou ainda alguns casos específicos, lembrando sempre que não se tratavam de denúncias, mas de questionamentos. “Tive uma informação de bastidor que há 44 ex-deputados ganhando R$ 22 mil por mês na Casa. Isso existe?”, perguntou, citando outros exemplos de possíveis irregularidades.
Ele contou que, durante uma viagem de avião, sentou ao lado de uma senhora – que residia no Rio de Janeiro – e, para sua surpresa, ao questioná-la sobre o motivo da viagem a Maceió, a resposta foi que era funcionária da Casa de Tavares Bastos e precisava se recadastrar para não ser demitida.
O deputado citou também o caso de uma médica pedevista que teve sua matrícula utilizada para que outra pessoa recebesse irregularmente em seu lugar, e lembrou a denúncia veiculada no domingo pelo Fantástico, de que duas lavadeiras “receberam”, sem ter o menor conhecimento disso, R$ 25 mil do legislativo: “Elas devolveram o dinheiro? Quem recebeu? O que aconteceu?”.
Por fim, apelou para que todos os servidores tenham direito a defesa ao fim da auditoria e criticou a Mesa Diretora por não ter informado aos demais deputados sobre como o trabalho será realizado.
Respostas
O primeiro secretário da Casa, deputado Isnaldo Bulhões (PDT), destacou que os questionamentos do pastor só comprovavam a necessidade da auditoria na folha do legislativo e solicitou que o colega formalizasse todos os questionamentos feitos à Mesa Diretora.
“A revisão da folha de pessoal é uma atitude para Alagoas. Não é contra ninguém. É a favor do povo de Alagoas. Nós vivemos outro momento na Assembleia a partir de 1º de fevereiro”, resumiu.
Ao final da sessão, o presidente da Casa, deputado Luiz Dantas (PMDB), concordou que achou caro o valor cobrado pela FGV para realizar o levantamento, mas disse acreditar que o resultado final trará economia ao parlamento. “Pensamos em baratear contratando uma empresa não tão conceituada, mas temos certeza que o resultado irá compensar”, afirmou.
Respondendo a alguns dos questionamentos feitos, ele garantiu que todos os servidores terão direito integral a defesa e disse que a Casa possui 30 ex-deputados na folha de inativos, com salários em torno de R$ 10 mil cada.
O pronunciamento de João Luiz foi aparteado pelos deputados Antônio Albuquerque (PRTB), Galba Novaes (PRB), Edval Gaia (PSDB) e Francisco Tenório (PMN).
