De nada adiantou mais um início de tarde de esforço pessoal do governador Renan Filho (PMDB) para afinar com a base governista as estratégias para tentar aprovar a manutenção de seus vetos em favor dos plenos poderes da 17ª Vara Criminal da Capital, nesta terça-feira (26). Mas a prorrogação da novela que pautou quase toda a atuação dos deputados estaduais na tarde de ontem, até agora demonstrou algo além da incerteza sobre o pensamento da maioria da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) sobre a matéria.
A presença ostensiva de deputados contrários à matéria marcou o debate. Mas a insegurança da base contrária à 17ª foi o motivo do gasto de tanta saliva pelos deputados João Beltrão (PRTB), Francisco Tenório (PMN), Marcelo Victor (PROS) e Antônio Albuquerque (PRTB).
Com mão enfaixada e ferimentos visíveis em seu rosto, Albuquerque foi o responsável pelo pedido de adiamento da apreciação dos vetos, em votação fechada. A solicitação do parlamentar que se envolveu em grave acidente automobilístico no final de semana foi feita a pedido de seu colega de partido, João Beltrão, que não aparecia no plenário há quase dois meses.
Apesar de a maioria dos deputados optarem em plenário pela votação fechada da matéria e por confrontar a decisão judicial que determinou a apreciação de vetos com voto aberto, os deputados que querem a mutilação da 17ª Vara não têm como garantidos os votos neste sentido. O problema é que a maior parte deles teme a reação da opinião pública e a pressão social pelo fortalecimento da 17ª Vara Criminal.
Neste aspecto, uma estratégia pregada por Rodrigo Cunha (PSDB) e adotada pela base governista de exibir os votos em plenário foi decisiva para elevar o nível de insegurança dos deputados que tentam enfraquecer o órgão do Judiciário. Montada em sintonia com a sociedade, que pede transparência, a tática será posta em prática pela maioria favorável à 17ª Vara.
O esforço do “quarteto fantástico” – Marcelo Victor, Tenório, Beltrão e Albuquerque – talvez apenas adie um desfecho favorável à 17ª Vara, previsto para a sessão desta quinta-feira (28). E seus pares continuarão tentando todas as manobras regimentais, possíveis e impossíveis, argumentando com um nível rebuscado de juridiquês e com mal ensaiada indignação contra interferências do Judiciário, no vácuo moral e legislativo da Assembleia.
A dúvida que encerrou o debate de ontem e motivou o pedido de adiamento feito por Albuquerque foi sobre o que valerá após uma eventual derrubada do veto de Renan Filho. Mas a sociedade sabe que tal dúvida é subterfúgio para enfraquecer os poderes da 17ª Vara. Pois o que se aprova em plenário, "revoga disposições em contrário".
Mas de uma coisa ninguém tem mais dúvida: a cada debate sobre esta matéria ficam cada vez mais claros os interesses de cada um dos que falam ou silenciam diante da temática.
Apesar de verossímil, o palavrório inútil continuará confrontando desejos pessoais e inconfessávies de bases políticas de parlamentares contra o anseio da sociedade.
E só o voto exposto à luz da sociedade servirá para desinfetar eventuais vermes e bactérias que ainda tentarem se valer do poder público para cometer crimes de forma impune. Quem tem algo a esconder?
