Para marcar a passagem do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, 25 de Maio, o Conselho Regional de Medicina de Alagoas vai percorrer consultórios de Maceió e do interior no intuito de reforçar, corpo a corpo, a adesão da categoria ao trabalho de responsabilidade social na prevenção ao sumiço dos menores no Estado. “Nós já desenvolvemos essa caravana pelas crianças e adolescentes, mas convém visitar os colegas, lembrá-los e incentivá-los a ficarem atentos à questão. Muitas vezes, ao questionar sobre a história de vida do paciente aqueles que se apresentam como pais ou responsáveis deixam dúvidas e suspeitas. Diante desse tipo de situação, o médico pode denunciar e ajudar na elucidação,” argumentou Fernando Pedrosa, presidente do CRM.
Ele conclama toda a classe médica, sobretudo os pediatras, a abraçarem essa caravana em defesa da criança e do adolescente. “Não custa nada colaborar. É um ato de cidadania que pode contribuir bastante com a redução do índice de menores desaparecidos”, reforça Pedrosa, lembrando que em Alagoas, segundo estimativa do Fórum dos Conselhos Tutelares, uma média de 40 crianças e adolescentes desaparecem todo mês. O número está em escala crescente em nível nacional, o que motivou o CFM, com consenso com os Conselhos Regionais, a deflagrar a caravana.
Além de visitar clínicas e consultórios também serão visitadas pelo CRM as alas pediátricas dos hospitais do Açúcar, Arthur Ramos e Santa Casa de Maceió, no dia 25. Os médicos e pacientes receberão folders e orientações sobre como evitar e proceder em caso de desaparecimento. ‘Estaremos em campo das 8:00 às 18hs com nossos conselheiros distribuindo material educativo e ajudando a orientar as pessoas a denunciar casos de desaparecimento e principalmente a prevenir o problema’’, disse o presidente do CREMAL, Fernando Pedrosa, frisando que os médicos serão incentivados a inserir o assunto durante o contato com o paciente, por ocasião da consulta.
Em Alagoas, infelizmente uma iniciava importante está encontrando dificuldade para seguir adiante. No caso, o Banco de Dados de Pessoas Desaparecidas, que foi criado pelo professor Luís Antônio Ferreira, chefe do Laboratório de DNA Forense. A ideia dele era - através do banco de dados - cadastrar informações do DNA dos desaparecidos e de seus familiares. Esses dados ficariam disponíveis para todas as pessoas, inclusive pessoas fora de Alagoas, a fim de facilitar a identificação do desaparecido não somente pela fotografia, mas também pelas informações genéticas. O cadastro é gratuito e pode ser feito no Laboratório DNA Forense, localizado na Rua Aristeu de Andrade, 452, no bairro do Farol, mediante apresentação das informações e foto do desaparecido. O problema é que até agora o governo não deu apoio ao banco e o projeto que tem tudo para ser um caso de sucesso, esbarra em sérios problemas.
Na Delegacia da Criança e do Adolescente, bairro do Jacintinho, um mural expõe o rosto dos menores desaparecidos em Alagoas, e registra o desespero dos familiares que prestam queixa quase que diariamente. O entendimento do CFM e dos Regionais é de que quanto mais segmentos da sociedade civil se engajar nessa luta maiores serão as chances de reduzir o índice de menores desaparecidos.