No ano em que comemora os 100 anos de Rio Largo, a Prefeitura do município aproveitará o São João para homenagear o grande artista rio-larguense que foi um dos ícones da música nordestina: Erivan Alves Almeida, o Mestre Zinho.

 Filho do Seu Odilon e da Dona Julia, nascido em 1945, ele começou a cantar na infância em festas na cidade, segundo conta o irmão Erivaldo. Ainda garoto, Zinho conheceu a família Livramento, que era dona de um serviço de som, e em todos os eventos era convidado por eles para cantar.

 Fez amizades com veteranos da música em Rio Largo e começou a participar de bailes cantando, inclusive samba, em sindicatos e clubes. Daí começou a ficar conhecido na cidade e nas regiões vizinhas. Nessa época, Zinho formou um trio de forró e deu o nome de “Os Cobras do Norte”, que passou a se apresentar por estados do Nordeste.

 De Alagoas para o Brasil

 Segundo Erivaldo, o irmão imitava com tanta maestria o trio “Os Três do Nordeste” que, por muitas vezes, uma delas no Maranhão, confundiu o público pela semelhança com o estilo do grupo de forró mais conhecido na região.

 A semelhança, no entanto, gerou problemas para o artista rio-larguense. Na década de 1970, Zinho foi obrigado a desfazer o trio e começou a trabalhar no comércio de Maceió, mas não largou a música. Durante o dia laqueava móveis e à noite se apresentava na Churrascaria Macaió, no bairro Trapiche da Barra, com um repertório variado.

 Foi nesse período que os integrantes do Os Três do Nordeste Pacheco e Parafuso conheceram Zinho e o convidaram a participar do grupo artístico, pois o vocalista oficial do trio, Zé Cacau, foi afastado por problemas com drogas. Com o passar do tempo, ele levou a família para o Rio de Janeiro, onde gravou sete discos de vinil com e se destacou no cenário da música brasileira.

 O irmão Erivaldo conta que na década de 1980 o grupo estava sempre com uma agenda cheia de shows pela região Nordeste. Diante do sucesso, Zinho resolve vim sozinho a Alagoas fazer apresentações para seus conterrâneos nos municípios de Murici, Joaquim Gomes e Boca da Mata. Na volta para Maceió, o grupo sofreu um acidente de carro e ficou internado, quando o artista começou a pensar na carreira solo.

Um novo destino na carreira

 Meses após o acontecido, Zinho decide sair do Três do Nordeste. Na década de 1990, forma a banda Gira Sol e volta ao Rio de Janeiro para gravar o primeiro LP com participação de Luiz Gonzaga, Domiguinhos, Hermelina e outros artistas. No segundo LP, faz uma homenagem a rei do baião, alcançando um grande sucesso com a interpretação de músicas consagradas.

 O Mestre e sua Gira Sol, como não poderia ser diferente, passaram a ser uma das atrações mais requisitadas nos estados nordestinos, principalmente no período junino.

 Problemas de saúde

 Ainda no Rio de Janeiro, após exames, médicos detectaram problema da próstata e câncer na garganta. Em razão dos problemas, Mestre Zinho teve a saúde bastante prejudicada e faleceu no dia 31 de janeiro de 2010. Ao todo, o artista rio-larguense gravou 25 discos e foi casado com Severina Padilha Almeida, com quem teve cinco filhos.

 São João do Centenário

 O São João do Centenário será realizado de 14 a 17 de maio no bairro Gustavo Paiva (Cachoeira) e de 28 a 31 no bairro Brasil Novo. Ao todo, 18 atrações levarão música à população durante as oito noites de shows e, para manter a tradição, a festa será aberta com a chegada do trem do forró na estação de Rio Largo. A expectativa é superar a média de público registrada no ano passado, quando cerca de 50 mil pessoas prestigiaram o evento durante os quatro dias de realização.

 A programação, que foi ampliada neste ano em relação a 2014, traz nomes renomados da música nordestina e cantores do forró estilizado, a exemplo de Dorgival Dantas, a banda Baby Som, Wesley Safadão, Gabriel Diniz Mano Walter e Luan Estilizado. Representando os artistas locais, as bandas Amoda, Môfio e Badallada se juntam aos cantores Ana Lobo e Matheus Borba para animar as noites de festa com o forró e um repertório já conhecido pelos alagoanos.