Ao saber que a cada dia aumenta o número de invasões as terras da massa falida do Grupo João Lyra, logo me lembrei dos filmes americanos em que caravanas formadas por famílias corriam em busca de terras e riquezas no eldorado do Velho Oeste americano.
Claro, não tem índios, não tem bandidos com os seus rifles e colts 45 a mostra. Mas tem algo pior, dependendo do ponto de vista. Algo parecido com o deserto silencioso do abandono de um empreendimento que está sendo não só invadido, mas também tendo o seu parque industrial deteriorado pelo abandono. Ou será descaso?
Quem me informa pede o anonimato. Mas tá lá dentro e tem ouvido relatos de outros companheiros que restaram trabalhando próximos a imensa maquinaria silenciosa, adormecida.
As terras das usinas Guaxuma – entre Coruripe e Teotônio Vilela – Uruba, em Atalaia, e da Laginha, em União dos Palmares, estão constantemente sendo invadidas. O resto de cana que teima em brotar da terra sem tratamento é cortado para virar moradia dos invasores.
A impressão de um grupo de ex-funcionários e de empresários que prestavam serviços ao Grupo é que os administradores indicados pela justiça não reagem às invasões e pouco fizeram (fazem) contra vendas irregulares de tubos de irrigação das terras das usinas.
Gaiolões dos caminhões que transportavam cana foram desmanchados e vendidos para o ferro-velho. Outras tantas máquinas, equipamentos, enfim, muita coisa não vem sendo preservado.
Poucos dos antigos funcionários da área de segurança que restavam estão sendo demitidos e substituídos por uma empresa, mas que vai cuidar apenas da indústria.
Das terras, não, ora bolas. Afinal de contas, o Velho Oeste está de volta nas terras do Grupo JL. Nem sempre por desbravadores, pioneiros e trabalhadores.
Talvez por oportunistas protegidos.
Sem xerife, omissão e descaso muitas vezes também pode ser sabedoria no Velho Oeste instalado nos bens da massa falida do Grupo João Lyra.