A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que deveria existir em Atalaia não saiu do papel. Ação ajuizada no Ministério da Saúde responsabiliza o ex-prefeito Manoel da Silva Oliveira (PTB), o Professor Mano, pela falta de compromisso em iniciar a obra que mudaria a realidade da saúde de milhares de pessoas da região. O investimento da União visava oferecer atendimento hospitalar 24 horas de complexidade intermediária entre as unidades básicas de saúde e as de urgência, nas especialidades de clínica médica e pediatra.
Na época do misterioso desinteresse do Poder Executivo em ofertar saúde para os moradores de Atalaia, o Governo Federal havia repassado no dia 6 de setembro de 2013, o valor de R$220 mil para a gestão do professor Mano. Os mais de R$ 200 mil encaminhados eram referentes a 10% do montante da obra da construção da UPA orçada em R$ 2,2 milhões.
Como “num passe de mágica”, em menos de um mês, o valor depositado e que deveria ser utilizado exclusivamente para a construção da Unidade de Pronto Atendimento sumiu dos cofres públicos. O Professor Mano terminou afastado do cargo por uma gestão marcada por escândalos de desvios de verbas públicas, que deveriam ser utilizadas em obras e políticas sociais. Agora o Ministério da Saúde está cobrando a prestação de contas deste recurso ao atual prefeito, José Lopes de Albuquerque, o Zé do Pedrinho.
Zé do Pedrinho revelou a reportagem do jornal Extra que está movendo um processo judicial contra o ex-prefeito, a então secretária de Saúde e vereadora do município Michelle da Silva Oliveira e Anilson Alves, que exercia o cargo de secretário de finanças. “Todos vão responder na Justiça pelas irresponsabilidades cometidas. O Ministério da Saúde vai ter que cobrar de quem meteu a mão no dinheiro público”, enfatizou o prefeito.
Através do extrato das contas, foi detectado que após o depósito proveniente ao Fundo Municipal de Saúde, entre os dias 06 e 26 de setembro de 2013, houve oito movimentações financeiras, sendo seis delas no dia 13 de setembro de 2013, através de operações de débito autorizado, TED e DOC. No dia 26 do corrente mês, o saldo da conta era de apenas R$ 98,71. A conta que possuía mais de R$ 200 mil ficou em menos de 15 dias praticamente zerada.
Segundo informações da atual gestão de Atalaia, uma solicitação foi encaminhada a Caixa Econômica Federal para que sejam revelados as contas e seus respectivos responsáveis pelas operações realizadas durante esse período. Esses dados podem comprovar definitivamente o assalto ao erário do município de Atalaia.
Sem verba federal
Por conta do descaso do ex-prefeito, professor Mano, a atual gestão corre o risco de ficar impossibilitada de receber novos recursos federais, além da cobrança do ressarcimento dos R$ 220 mil não aplicados na construção da UPA. O loteamento Santa Inês, no Bairro José Paulino, que seria construída a Unidade não há vestígio do início da obra, um só tijolo; o retrato do descaso.
Professor Mano está sendo investigado por mais prejuízos aos cofres públicos de Atalaia: uma auditoria realizada pela atual gestão aponta para pagamentos indevidos a servidores públicos, fraudes em licitações e desvio de recursos oriundos do Governo Federal, todos destinados a várias secretarias que compõem a prefeitura. Todo o levantamento já foi encaminhado pelo atual prefeito Zé do Pedrinho e seus assessores aos órgãos competentes para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

