O palácio Floriano Peixoto na manhã deste domingo (22) reuniu familiares, amigos e políticos para prestar as últimas homenagens ao ex-governador Divaldo Suruagy, que faleceu neste sábado após uma parada respiratória. O enterro está previsto para acontecer às 17 horas no cemitério Parque das Flores.
No salão da antiga sede do Executivo Estadual, as filhas, genros, amigos mais próximos e políticos lamentaram a morte de Suruagy. Uma das filhas seguia ao lado do caixão enquanto outras pessoas passavam pelo local dando seu último adeus.
O músico Carlos Barbosa, amigo há mais de 20 anos do ex-governador chegou logo cedo para prestar solidariedade à família. Ele lamentou a morte do amigo, mas fez questão de relembrar momentos que passou ao lado de Suruagy. “Sempre muito amigável, lembro tantas histórias, de músicas e hoje estou aqui prestando uma última homenagem a ele”, disse.
Entre familiares o sentimento de tristeza com a morte era visível. Dermeval Francisco Chagas, concunhado de Divaldo contou que os últimos seis meses de vida foram muito difíceis com constantes pioras em sem quadro de saúde. “Ele passou por um sofrimento grande. Lembro que a umas semanas ele se lamentava e perguntava: o que eu fiz para sofrer assim? Mas ele foi uma pessoa boa, ele teve uma intensa vida política, fez muito pelo nosso estado prestando serviços que ninguém nunca fez. Ele agora descansa”, disse emocionado.
Fernando Ataíde contou que cresceu vendo de perto a trajetória política de Suruagy. Filho de Luiz Cavalcante de Oliveira, que chegou a ser diretor do DER em um dos mandatos do ex-governador, ele disse Suruagy era admirado pela sua simplicidade. “Lembro-me de várias vezes em que ele saía andando pela Moreira Lima [Centro] tranquilo. Meu pai trabalhou com ele em dois mandatos e pude ver isso de perto. Foi um homem político que fez muito e merece muitas homenagens em sua partida”, contou.
A MORTE
O Ex-governador lutava contra um câncer no estômago e chegou a ficar internado no hospital Sírio Libanês em julho do ano passado. O problema de saúde o fez desistir da candidatura a deputado estadual. Ontem durante a tarde ele sofreu uma parada respiratória e chegou a ser socorrido, mas acabou falecendo a caminho do hospital Arthur Ramos.
A notícia de sua morte gerou grande repercussão no meio político. O governo do Estado e a prefeitura de Maceió decretaram luto oficial de três dias pela morte.
VIDA POLÍTICA
Suruagy foi prefeito de Maceió (1965 a 1970), deputado Estadual (1971 a 1973), deputado Federal (1979 a 1983 e 2001 a 2002), duas vezes senador da República (1987 a 1990 e 1990 a 1995) e três vezes governador de Alagoas (1975 a 1978; 1983 a 1986 e 1995 a 1997).
No último mandato foi eleito com o melhor percentual entre os governadores do Brasil, com 81% dos votos, mas sua vida política sofreu um revés. Filiado ao PMDB , depois de ter passado pelos partidos: Arena, PSD e PFL. Seu terceiro mandato, se estabeleceu dentro de uma crise político-financeira e econômica no Estado.

O setor açucareiro com algumas usinas falindo, a Salgema sem produção, o atraso constante no pagamento do servidor público, o Programa de Demissão voluntária – PDV, as múltiplas greves e os escândalos dos precatório que acabaram causando o afastamento de Suruagy do governo.
Divaldo Suruagy que nasceu em São Luis do Quitunde e era economista e historiador formado na Universidade Federal de Alagoas e deixa quatro filhos.