Um dos citados na lista de políticos que serão investigados no inquérito da Operação Lava Jato, o senador alagoano Fernando Collor de Mello (PTB) usou o plenário nesta segunda-feira (09) para tecer duras críticas ao Ministério Público Federal e questionar a forma como o nome dele e dos outros 46 políticos citados foram divulgados.

Collor atribuiu ao MP uma “postura parcial, irretratável e covarde”. Segundo ele, um “grupelho”, em conluio com os meios de comunicação, teria influenciado o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para atuar com “desrespeito deliberado às autoridades constituídas”.

O senador apontou o que considera falhas nos processos para autorização de abertura de inquéritos, baseada, segundo ele, exclusivamente nos depoimentos de “notórios contraventores da lei” beneficiados pela delação premiada". Ele destacou ainda a fragilidade das denúncias, lembrando que houve contradições entre o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef sobre doação para a campanha presidencial de 2010 e o conhecimento da cúpula do Planalto em relação às irregularidades na estatal.

O senador ainda questionou o motivo que teria levado Janot a citar nomes como o da presidente Dilma Rousseff (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para, em seguida, pedir o arquivamento: “Se não achou indícios suficientes, por que citar o nome do senador Aécio Neves e outros senadores? Bastava não pedir, simplesmente não citar, sem envolver aqueles nomes. Se não havia inquérito a ser instaurado de que exatamente o procurador pediu o arquivamento?”.

Sobre a falta de oportunidade de acesso antecipado aos autos para esclarecer pontos levantados pela investigação, Collor desabafou: “Isso chega a ser agressão, sonegar as informações das pessoas citadas definitivamente não se coaduna com o estado de direito”.

Antes de encerrar o pronunciamento, o ex-presidente da República elogiou o relator do processo, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, que, a seu ver, agiu corretamente e em prol da transparência pública ao retirar o sigilo dos inquéritos para que todos possam prestar esclarecimentos. “Até porque na prática da Justiça, listas de nomes sem provas não significam absolutamente nada. Politicamente, recomenda-se a devida serenidade e prudência que o grave momento institucional requer”, finalizou.

*Com Agência Senado