A Polícia Civil investiga a morte de Ana Flávia Marques Teixeira, de 34 anos, e suas duas filhas em um motel no município de Itabira, região central de Minas Gerais. O crime aconteceu no último domingo (11) e a suspeita é de que a mulher tenha se matado, após assassinar as crianças, sendo uma de quatro anos e outra de apenas dez meses.
De acordo com Boletim de Ocorrência, uma funcionária do motel teria acionado a PM (Polícia Militar) após desconfiar de que havia alguma coisa errada no quarto onde estava a família. Segundo ela relatou aos militares, Ana Flávia teria pedido para ser chamada às 17h. No entanto, ninguém teria respondido e, ao olhar por debaixo da porta, a funcionária viu os pés da mulher aparentemente roxos.
Após abrir a porta do quarto, os policiais se depararam com a mulher e as crianças mortas. Ela teria se enforcado em um suporte para tolhas instalado na parede do quarto. Já as filhas estavam na cama e não apresentavam nenhuma lesão aparente, mas uma seringa foi encontrada na lixeira do quarto e a polícia vai investigar se elas foram envenenadas.
Ainda conforme a PM, Ana Flávia teria deixado um bilhete sobre a mesa com o telefone do pai, que compareceu ao local, e de outras duas pessoas. Ele disse que teria recebido um áudio que a filha tinha mandado a uma amiga dando a entender que ela se mataria pois não se conformava com o fato de ter perdido a guarda da filha mais nova para o ex-marido.
Segundo a Polícia Civil, a mulher e as crianças estavam desaparecidas desde dezembro do ano passado. Elas moravam no município de João Monlevade, também na região central, e Ana Flávia teria fugido com as filhas. Já a Prefeitura de João Monlevade informou que Ana Flávia era servidora do órgão desde 2006, na função de motorista, mas estava de férias desde o dia 15 de dezembro.
O caso foi registrado pela Delegacia de Plantão de Itabira, mas será investigado pelo delegado Juliano Alencar, da Delegacia de Homicídios.
Investigação
O exame dos corpos mostra que as crianças teriam sido mortas por asfixia logo que a mãe entrou no quarto.
Anna Flávia Marques Teixeira, de 34 anos, ficou no motel com os corpos das filhas por seis horas, até que aplicou o calmante Clonazepam em si própria com uma agulha e, em seguida, se enforcou com uma corda. Nesse tempo, pediu comida e sais de banho.
O delegado Juliano Alencar, titular da delegacia de homicídios de Itabira, explica que a mais velha deve ter sido morta primeiro.
— O legista concluiu que a causa das mortes foi asfixia, mas não por esganadura, já que não havia marcas de lesões. Ela pode ter usado um travesseiro ou cobertor para isso, mas não diretamente as mãos. Pela situação, as meninas estariam mortas há 24 horas, então ela teria matado primeiro a mais velha, que poderia reagir, e depois a menor. E depois ficou no quarto por mais seis horas, quando pediu o espetinho, a caipivodka, o suco e os sais de banho.
Os policiais encontraram um frasco do calmante no carro da suspeita, além de uma seringa no quarto.
— Dentro do veículo estava o vidro do Clonazepam, e a tampa foi recolhida dentro do quarto. No corpo da Anna Flávia havia marca de aplicação de agulha. Ela não aplicou nas meninas, mas pode ter dado via oral. Isso só o exame toxicológico pode dizer. O que também mostra que o crime foi premeditado é que ela se enforcou em uma corda que levou para o motel.
A enfermeira deixou um bilhete culpando o ex-marido e gravou um áudio de Whatsapp se dizendo ameaçada.
A disputa pela guarda das filhas, Maria Fernanda, de 4 anos, e Anna Sofia, de nove meses, foi parar na Justiça, que decidiu em dezembro deixá-las com o pai. Segundo o delegado, a mãe foi acusada de alienação parental, por impedir as visitas do pai.
— Há acusações de todas as partes, de que ela ameaçava reataliar caso perdesse a guarda das filhas, e tentava punir o ex-marido pela ausência de contato com as crianças. Por isso perdeu a guarda por alienação parental.
Perda de guarda
Ela não mantinha contato com a família desde dezembro, quando recebeu a notícia de que perdeu a guarda das crianças. Anna Flávia era enfermeira, mas trabalhava como motorista de caminhão-pipa na Prefeitura Municipal de João Monlevade.
Uma colega de trabalho, Célia Marta, funcionária da garagem da prefeitura, afirma que Anna Flávia era reservada.
— Ela não se abria, não contava essas coisas. Trabalhava normalmente, pegava o caminhão de manhã e saía, quase não parava aqui. Ela não parecia ter nenhum distúrbio, vai saber o que se passava.










