São 28 anos de mandatos ininterruptos e oito anos na chefia do Executivo Estadual que estão sendo finalizados sem sucessão e com inúmeras críticas. O tucano Teotonio Vilela Filho (PSDB) deixa, em breve, o governo de Alagoas e deverá ficar distante de cargos públicos até 2016, dedicando o próximo ano à família. Durante entrevista coletiva à imprensa concedida nesta terça-feira (07), o gestor fez um breve balanço sobre seu trabalho, disse que sairá “sem dever um centavo” e, entre questionamentos referentes aos índices negativos, afirmou que “seu sucessor será o melhor governador de Alagoas, pois o Estado está organizado”.

Vilela ressaltou que ontem (06), por telefone, parabenizou Renan Filho (PMDB) e garantiu total apoio durante o processo de transição. Sobre o assunto, o governador afirmou que uma equipe foi designada há 15 dias e que o trabalho vem sendo chefiado pelo secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado. “Queremos fazer esta passagem de governo com total transparência e com diálogos para evitar que projetos importantes sejam interrompidos, prejudicando a população. Este apoio é um processo inédito e o candidato eleito assumirá o mandato com Alagoas bem melhor do que encontrei”, disse o tucano.

Questionado sobre a participação na campanha para eleição de Júlio Cezar, que seria seu sucessor, o governador limitou-se a dizer que entrou tardiamente no processo e falou sobre o posicionamento do PSDB em relação ao próximo governo. Vilela disse que, após o segundo da disputa à presidência, os correligionários da sigla serão reunidos para definir de que forma se dará o relacionamento com Renan Filho. “De uma coisa eu tenho certeza: o que for de interesse de Alagoas, será interesse do PSDB”, enfatizou.

Em seguida, o chefe do Executivo falou sobre o apoio para ajudar a eleger Aécio Neves. “No primeiro turno, a estratégia foi concentrar as visitas do candidato nos estados do Sul e Sudeste, locais onde não tinha muitos votos, e deu certo. Agora, o trabalho será forte no Nordeste, onde obteve a segunda maior votação proporcional. Temos uma grande expectativa”, disse.

Vilela também afirmou que deixará o Estado com recursos para que o próximo governador inicie o mandato dando continuidade aos projetos iniciados em sua gestão, como o Alagoas Tem Pressa. Segundo ele, está sendo viabilizado um empréstimo de R$ 300 milhões com o Banco Mundial, cujo quantitativo deverá ser utilizado para investimento em educação, segurança pública e saúde.

Justificando o motivo pelo qual declarou que seu “sucessor será o melhor governador de Alagoas”, o tucano elencou os feitos de sua gestão, disse ter feito “em oito anos o que não fizeram em 80” e minimizou os índices negativos ao ressaltar as políticas públicas para coibir a violência e as drogas no Estado. “O que falta não é política, mas sim dinheiro. Fiz o que pude e o que estava ao meu alcance, mas claro que ainda falta muito”, afirmou.

Vilela ressaltou que entregará a gestão com o dobro de vagas no Sistema Prisional, passando de 1500 para três mil; com mais leitos em unidades de saúde espalhadas por Alagoas; com 101 grandes indústrias e mais de 84 mil microempresas; e com 28 novos hotéis. “É um conjunto de ações que me leva acreditar que o Estado será entregue em outro patamar”, disse ele, afirmando, ainda, ser o gestor que mais nomeou militares à Polícia: “foram 2500, nunca se viu isto antes”.

Sobre os índices sociais negativos, o governador disse que o assunto é uma realidade nacional, mas que, em sua gestão, foram reduzidos: “não me conformo, embora a situação esteja sendo revertida”. Sobre a violência, Vilela foi questionado quanto ao programa Brasil Mais Seguro e afirmou que a iniciativa foi uma solicitação que, apesar de não ter refletido em resultados efetivos e positivos, foi uma boa experiência visto que conseguiu “estancar o crescimento dos homicídios no estado”.

“Durante a campanha eleitoral, quiseram colocar como se o Estado fosse um mar de rosas e no meu mandato foi que tudo mudou. Não é assim. Quando entrei para o governo, Alagoas já estava nas primeiras colocações da criminalidade”, ressaltou Vilela.

O governador também criticou a morosidade para aprovação do estaleiro de Alagoas. Segundo Vilela, a demora se deu em virtude de influência política e da iniciativa privada, que “seguraram” a aprovação do projeto do empreendimento por cinco anos. “Serão mais de 30 mil empregos diretos. Com a demora, quem saiu perdendo foi o alagoano”, disse.

Vilela encerrou a entrevista falando sobre o motivo pelo qual não concorreu às eleições em nenhum cargo no pleito desse ano. O governado afirmou que 2014 foi o ano mais importante entre suas gestões, pois é o “ano das grandes colheitas”. “Tenho feito até cinco inaugurações por dia e serão mais de 300 até o final do ano. Nunca se fez tanto”, disse ele, voltando a utilizar um dos jargões utilizados pela comunicação durante seus oito anos de governo.