No meio dos advogados, entre membros do Ministério Público Estadual e cientistas sociais, entre outras profissões, existe uma imensa preocupação com os casos de mortes em confrontos entre policiais e supostos criminosos.

Os relatos que estão chegando levam a suspeição de que está ocorrendo uma limpeza, um extermínio de suspeitos de crimes. Não são tantas denúncias porque há o temor, o medo, por parte de testemunhas, parentes e amigos das vítimas.

Os relatos já chegaram inclusive a membros do Conselho Estadual de Segurança (Conseg). A preocupação é que o argumento é sempre o de que houve reação. Armas aparecem, drogas também. Invasão de domicílio e tortura também são revelados.

Porém, ninguém reclama nem busca saber o resultado da perícia. O trajeto e trajetória dos projéteis. Ninguém sabe se o fato narrado é verdadeiro, uma vez que não se sabe se há exame de resíduos de pólvora na mão daqueles que tombaram.

Não que eu, particularmente, tenha peninha de bandido morto. Pelo contrário. Reagiu, ameaçou a vida de um policial, a reação tem que ser a que o caso recomenda, e só. Entretanto, caso venha a ser confirmado que existe uma atuação fora da lei, de eliminação pura e simples de suspeitos e de criminosos, o caso é gravíssimo.

É sabido que o clima de insegurança é altíssimo. Mas não é assassinando, fazendo uma limpeza cujo critério é apenas o conhecimento, a experiência diária da atividade. Pior do que a injustiça é a falta de justiça. Isso nos leva a cometer barbaridades e abre a porta para o profissional da segurança entrar de cabeça no mundo crime. A ter gosto e prazer para matar.

O maior problema é que temos um fim de governo completamente ineficiente e ineficaz quando a questão é segurança pública.

Resta-nos ter esperança com o próximo governo. E torcer para que não sejamos vítimas de bandidos ou de um erro de um policial.

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