Investigadores apuram se Mateus Alves, de 14 anos, foi morto por policiais militares do Rio. O corpo do adolescente assassinado no Morro do Sumaré, na Zona Norte, foi enterrado nesta quarta-feira (18). Como mostrou o Bom Dia Rio nesta quinta (19), os PMs são investigados pela tentativa de matar também um outro jovem. Ele contou que só escapou porque se fingiu de morto, após ser baleado.

Nesta quarta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio decretou a prisão temporária dos dois policiais. Eles foram levados para a unidade prisional da PM.

De acordo com as investigações da Polícia Civil e da Corregedoria da PM, os cabos da Polícia Militar Fábio Magalhães Ferreira e Vinícius Lima Vieira perseguiram dois menores que estariam praticando furtos no Centro da cidade. A perseguição aconteceu às 9h30 do dia 11 de junho. Às 9h37 um deles foi capturado e colocado dentro do carro da PM, de acordo com o registro da câmera de monitoramento do veículo. Onze minutos depois, o outro jovem foi apreendido.

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Dois PMs são investigados por morte de jovem no Sumaré, Rio

O GPS instalado no carro revelou que eles continuaram seguindo pela Avenida Presidente Vargas e passaram em frente à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

“Esse procedimento não é aquele que a Polícia Militar preconiza. As normas da Polícia Militar dizem que, em sendo abordada, a pessoa ela deve ser encaminhada à delegacia”, falou o coronel Sidney Carmargo, corregedor da PM.

Os policiais seguiram direto para o Morro do Sumaré. No caminho, eles fizeram duas paradas, observaram os locais e seguiram viagem até chegarem a outra parte do morro.

“Às 10h29 o primeiro adolescente é tirado de dentro do carro e levado para uma ribanceira e lá ao que parece, executado. Um adolescente é morto, o outro recebe dois tiros, um nas costas e outro na perna”, contou o delegado titular da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa.

“Até o momento em que a gente tem as imagens, eles retiram um dos adolescentes da viatura, começam a conversar com eles algumas coisas, como a gente perde a imagem por um determinado momento, nós não temos condição de dizer o que efetivamente eles fizeram ou como eles fizeram, mas posteriormente, a gente verifica que eles descem com a viatura sem a presença dos adolescentes”, falou o coronel Sidney Camargo.

Jovem se fingiu de morto
O segundo rapaz baleado não morreu. Para se salvar fingiu que estava morto. "Já me botaram no chão atirando no meu joelho. O outro já foi e falou assim: pega lá o fuzil lá. Foi já pegando o fuzil e dando nas minhas costas", contou o jovem.

Depois que os policiais foram embora, ele saiu em busca de socorro. Pediu ajuda aos moradores de uma comunidade vizinha, o Morro do Turano, e foi levado por eles até a casa da família do adolescente morto para contar o que tinha acontecido.

Equipes da Polícia Civil foram até o Morro do Sumaré com os parentes do adolescente e encontraram o corpo dele.

“O depoimento de um dos policias militares atesta categoricamente que eles levaram os adolescentes até o Sumaré e lá deram a reprimenda neles e liberaram eles. Essa é a justificativa dos policiais militares”, concluiu Rivaldo Barbosa.

"Se eles estavam fazem ou não, isso não justifica o que eles fizeram com o meu filho. Está roubando? Está errado? Leva para a delegacia. E não pegar o meu filho, levar para o alto do Morro do Sumaré e matar covardemente como eles mataram. Eu quero justiça, eu quero que eles paguem o que fizeram com o meu filho", disse Tyago Santos, pai de Mateus.