O secretário - Chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, é homem de inteira confiança do governador Vilela. É a pessoa responsável pelas excelentes relações que o governo mantém com o Judiciário e o Ministério Público Estadual durante os dois mandatos do seu chefe.


Portanto, quando Machado disse que, em sua opinião, alguns dos partidos aliados que estão optando pela candidatura do senador Benedito de Lira ao governo de Alagoas deveriam entregar secretarias que comandam e os cargos, o fez porque o seu chefe mandou.


Ou alguém duvida?


E mais, o recado que teria sido endereçado apenas ao PPS (Régis Cavalcante), PR (Maurício Quintella) e ao PROS (Givaldo Carimbão) também deverá ser estendido ao PP e PSB, logicamente. Ora, minha gente, o governador Vilela, que já presidiu o PSDB, não vai querer ficar conhecido como o governador que traiu seus companheiros tucanos por ajudar a fortalecer o palanque do adversário à Presidência da República Eduardo Campos (PSB), não é mesmo?


Caso Vilela não aperte o cerco e não cumpra as ameaças aos aliados que não aceitaram o seu candidato, ele simplesmente vai inviabilizar a candidatura de Eduardo Tavares “O Breve”. E isso não será nada bom quando deixar o governo.


Agora, triste é a reação dos dirigentes partidários que declararam que só entregariam os cargos se o governador os pedir. Por outro lado, do ponto de vista político, essa reação é natural. Dificilmente todos eles terão condições de disputa sem que consigam manter o seu espaço de influência.


Quando se está no governo, o político é ou indica o secretário e pessoas para cargos em comissão em escalões inferiores. Esses indicados são apoiadores e eleitores. Além disso, uma excelente relação é construída com os fornecedores. Estes também se transformam, muitas vezes, em apoiadores e financiadores da campanha.
Tudo isso viabiliza muitas candidaturas. Por isso ninguém quer soltar o “ saboroso filé”, digamos assim.


Esse é o jogo.

Apenas isso.


Vilela estaria agora berrando, ameaçando fechar as torneiras do poder. Afinal de contas, está em jogo o seu futuro e o do seu herdeiro político, Pedro Vilela (PSDB). E torneiras fechadas inviabilizam candidaturas de Biu de Lira e companhia.


Será que os aliados não entenderam o recado e vão querer passar vergonha?


Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.