Ano de eleição é o período em que mais prosperam CPIs no parlamento brasileiro. Os interesses políticos e partidários superam a busca pelos esclarecimentos, como o caso da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras e tantas outras nos demais estados.


Alagoas, claro, não poderia ficar de fora. Os deputados de oposição, apoiados por alguns independentes, conseguiram nove assinaturas para criar uma Comissão para investigar o contrato entre o governo Vilela e a empresa baiana Reviver de Administração Prisional.


Apesar da boa vontade de Ronaldo Medeiros (PT), Jeferson Morais (DEM), Olavo Calheiros (PMDB), entre outros, só conseguiram as assinaturas porque os deputados alinhados com os tucanos permitiram. Eles, os governistas, sabem que vão ter o controle sobre a CPI, caso ela seja formada e tenha continuidade.


Porque toda CPI criada pelos parlamentares alagoanos funciona como uma “Operação Cuscuz”, pois nunca tem conclusão e quando tem o relatório apresentado não atinge quem deveria. Assim foi com as CPIs do Produban, da Tim, dos Combustíveis, entre outras.


Na verdade serve para pressionar o governo e/ou um grupo empresarial. Ora, o governador tem controle sobre a maioria folgada dos deputados, portanto, logicamente não vai deixar que uma investigação prospere.


Daqui a pouco os deputados governistas torpedeiam a CPI deixando-a inviável, sofrendo de inanição, parada, paralisada por divergências regimentais ou porque não houve entendimento na apresentação dos nomes para compô-la.


Por isso, CPI na Assembleia de Alagoas é igual a cuscuz: serve para oposição fazer estardalhaço, serve para os deputados governistas conseguirem mais estrutura do governo, ou seja, dividirem as migalhas do cuscuz que alimentam muito bem uma campanha eleitoral.