Sem estadista (s) Alagoas teima em seguir um caminho sangrento caminhando tropegamente em cima do fio da navalha. De forma quase idêntica, os poderes constituídos e os órgãos públicos não discutem nem projetam o futuro das instituições. Ora, todos existem para atender aos anseios da sociedade civil, mas não é isso que ocorre, o que é comprovado pelos altos índices de violência, de analfabetismo e de impunidade.


No Tribunal de Justiça faltam juízes. Muitos deles são titulares de uma Vara, mas são obrigados a responderem por mais duas ou três em municípios que visitam uma vez por semana ou a cada quinze dias. Os processos não andam, pois os juízes estão abarrotados de demandas. O fato é bastante grave, especialmente no sertão.


No TJ, por exemplo, dizem que, no geral, a quantidade de processos nos gabinetes dos desembargadores é pequena. A explicação é bastante simples: como faltam juízes, há poucas decisões recursais chegando para os Desembargadores de demanda existentes nas Varas da capital e do interior.


 Esse quadro numérico insuficiente também se repete no Ministério Público – onde tem promotor atuando em até quatro municípios – e também na Defensoria Pública. O cidadão sente o gosto amargo da sua demanda que não é definida. O advogado fica sem receber os seus honorários.  A impunidade reina quando o Estado é fraco, quando não se faz presente e atuante, quando não resolve as demandas dos seus administrados.


O governador Vilela prometeu contratar sete mil PMs, mas não cumpriu. Claramente faltam policiais, daí ser um dos motivos dos altos índices de criminalidade. Agora faz uma maquiagem ao colocar viaturas na orla para serem vistas pela classe média que reage com dureza quando um dos seus é a vítima. Os policiais foram retirados da periferia onde estão os mortos e matadores de jovens pretos e pobres.


Essa questão não é debatida entre os responsáveis pelos poderes e órgãos com a sociedade. Um não cobra do outro a solução. Nem TJ, nem MP, nem o Executivo, nem o Legislativo. Ninguém. Estamos acuados e abandonados.


Falta-nos o estadista, aquele que olha pro futuro.


Nessa situação lembro-me de uma história que me contaram. Um jovem foi morto com vários tiros numa cidade do interior. O corpo estendido, o sangue jorrando, uma equipe de televisão filmando. Chega um homem, o pai do jovem morto. Fita o corpo estendido, se abaixa, molha as mão com o sangue, passa no rosto, na boca e vai-se embora. Tudo isso foi gravado. Quinze dias depois, não mais do que isso, os suspeitos do assassinato do jovem aparecem mortos.


A certeza da impunidade faz tudo isso e muito mais. E é o que temos visto e vivido quando não temos educação de qualidade, saúde, segurança e a presença eficiente do Estado.


Portanto, falta-nos o estadista.