Após dez anos do crime de tentativa de homicídio contra o ex-deputado estadual Cícero Ferro e o seu primo José Maria Ferro, teve início na manhã desta quarta-feira (26) o julgamento dos acusados no Fórum do Barro Duro, em Maceió. A previsão, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) é que a audiência será encerrada somente na quinta-feira.

A movimentação de familiares da vítima e dos acusados é grande nas dependências do Fórum, e o clima no local é considerado tenso. Um tumulto foi registrado antes do início da audiência, já que suspeitou-se que alguns presentes estavam armados. A agitação foi contida pelo presidente do júri, o juiz Geraldo Amorim, que ameaçou prender quem estivesse armados ou que insinuasse que iria “sabotar” o julgamento.

Dos réus, apenas Jackson Cardoso Ferro não compareceu ao julgamento. O advogado de defesa, Raimundo Palmeira, justificou que a ausência do cliente se deu por motivos de saúde, já que ele sofreu um acidente nos últimos dias. Waldex Macedo Cardoso Ferro, José Ilton Cardoso Ferro, Wagner Macedo Ferro e Wanderley Macedo Cardoso Ferro estão sentados no banco dos réus.

“Eles são monstros”

A filha do ex-deputado estadual Cícero Ferro, Taciana Ferro, que acompanha o julgamento afirmou que os primos “são monstros” por terem tido a capacidade de atentar contra a vida do pai dela. Ela relembrou para a imprensa detalhes sobre o dia do crime e disse que o pai foi salvo “pela graça de deus e nossa senhora”.

Taciana relatou que depois do episódio provocou a separação da família, e que mesmo os réus sendo seus primos de primeiro grau, espera que eles sejam condenados. “Hoje nós nos respeitamos, mas não tenho convivência alguma com eles”, frisou.

Cícero Ferro estava presente na sala do júri, mas não falou com a imprensa. “Meu pai estava voltando do trabalho quando foi parado na estrada. Ele levou oito tiros e só conseguiu sair de lá porque entrou no mato. Mas quando chegou na cidade tinha outro carro esperando com gasolina dentro. A intenção era queimar meu pai depois que ele fosse morto”, disse Taciana.

A defesa

O advogado Raimundo Palmeira garantiu que irá apresentar novas provas em favor dos seus clientes para comprovar que os réus não têm envolvimento no crime. Palmeira afirmou que José Ilton Cardoso estava dirigindo o veículo e não chegou a efetuar nenhum disparo, pois comandava o volante.

A defesa sustenta a afirmação de que os réus foram vítimas de uma emboscada planejada por Cícero Ferro. A ordem dos depoimentos não foi divulgada.