Que ninguém se engane, mas o prefeito Rui Palmeira toma a maioria das decisões avaliando as opções numéricas que determinada ação pode lhe trazer. Ou seja, como advogado especializado em direito tributário sabe ler o significado dos números. Daí é capaz de tomar as decisões políticas e administrativas seguindo esse caminho frio dos números. E pelo que fiquei sabendo, essa ferramenta foi usada pelo menos duas vezes para tomar decisão como prefeito de Maceió.


No primeiro caso vem mudando a antiga idéia defendida pelo setor hoteleiro de que Maceió é uma cidade para o turista descansar. Esse pensamento foi difundido pelos empresários e acatado pelos prefeitos nos últimos 20 anos. Ficamos sem festas, sem calendário de eventos nas festas juninas, carnaval, verão, enfim.


Só que os números mostram o contrário. Ele, Rui, foi alertado pelo presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural, Vinícius Palmeira, com o seguinte argumento: Maceió tem cerca de um milhão de habitantes, 80% da população ganham até dois salários mínimos e não deixam a capital sequer para ir a Barra de Santo Antônio, de São Miguel ou Paripueira. Isso significa que ficam em Maceió cerca de 800 mil moradores e mais 20 ou 25 mil turistas caso aqui desembarquem e ocupem todos os leitos.


Ora, pelos números é muito mais interessante agradar a maioria dos maceioenses do que os turistas ou os donos dos hotéis, certo? Sim. Turista não vota em Maceió, o maceioense vota. Foi por isso que o prefeito decidiu investir em festas de final de ano em vários bairros. Da mesma forma será feito no carnaval, assim como resolveu trazer shows e criar o Maceió Verão na praia de Ponta Verde. Outros eventos estão sendo pensados e programados.


O objetivo dos eventos que virão é recriar a tradição das festas em Maceió e, principalmente, construir um discurso positivo para o administrador político. No passado tivemos o prefeito que organizou o município, o que ajeitou as praças, o administrador que fez calçamentos e asfaltou vias públicas.


Quando o prefeito Rui Palmeira aceita mexer no trânsito da Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro, ele pensa em agradar a maioria da população que usa o transporte público. Outra simples opção matemática.


Os números não mentem, pelo menos quase nunca, principalmente quando o objetivo é agradar o cidadão-eleitor.


Mas nem sempre tudo é matemática, principalmente quando estamos falando de política.