Pelo tamanho da vingativa maldade feita contra o Ministério Público Estadual, suspeita-se que os deputados alagoanos e o governador Téo Vilela não perceberam o tamanho da confusão que a não-aprovação do pedido de aumento no orçamento de 2014 vai causar.


É que pela tramóia praticada pelo parlamento contra quem os investigou e denunciou por suspeita do mal feito, o orçamento do MP para este ano foi reduzido para um valor menor do que o que foi executado no ano passado.


Essa redução foi de R$ 108 para R$ 105 milhões e é ilegal. Isso porque não pode o duodécimo do atual exercício ser inferior ao do ano anterior. A questão que os parlamentares e o seu chefe, o governador Vilela, não perceberam ou não quiseram perceber, é que esse corte vai atingir em cheio o bolso dos promotores e procuradores de justiça e também no coração administrativo do MPE.


Só que esse disparo pode sair pela culatra caso não haja entendimento. O MP, quando março chegar, não terá dinheiro para compras básicas como café, açúcar e papel, mas, antes disso, não terá recursos para bancar auxílio alimentação, o que inviabiliza a presença dos promotores nos municípios. Sem eles, juízes e advogados ficarão engessados assim como aqueles que precisam da aplicação da lei.


E mais, também vai faltar dinheiro para o MPE manter a sua Escola Superior. Sem dinheiro para bancar essa atividade será obrigado a dispensar 100 estagiários que recebem um salário mínimo.


 Várias reuniões estão ocorrendo entre promotores e procuradores. Talvez os deputados não tenham percebido o tamanho da encrenca em que estão se metendo ao mexerem no bolso de todos os indivíduos do MPE, dos advogados e até com o Poder Judiciário.


Quanto ao governador Vilela, um deputado estadual me disse que ele não vai interferir no caso. Como Pilatos irá lavar as mãos pensando que não tem responsabilidades . Entretanto, todos os personagens envolvidos que querem um MP capaz de atuar com qualidade e independência sabem que ele tem total controle sobre o parlamento alagoano.