A cada dia aumenta mais e mais o vácuo deixado pelo Estado nas pequenas e médias cidades do interior de Alagoas. São diversos os relatos de casos terríveis de violência, de assassinatos com os autores totalmente identificados, do avanço rápido do consumo de drogas em escolas e do poder dos novos e jovens traficantes.
Enquanto em Maceió um helicóptero sobrevoa bairros de Maceió à noite – por isso está sendo chamado de helicóptero vaga-lume -, com o objetivo de passar uma idéia de segurança, no solo o povo sofre os efeitos da violência por falta de policiamento. Nas antigas e pacatas cidades do interior o quadro é ainda pior.
Numa cidade do Agreste um homem matou a tiros a própria esposa. Não foi feito boletim de ocorrência, não há investigação nem perícia, inexiste inquérito, pedido de prisão, enfim, processo. O assassino passeia armado pela cidade e jurou matar os membros da família da esposa.
A segurança nesse município é feita por dois policiais. A única viatura estava quebrada. O prefeito bancou o conserto com recursos próprios. Ele temia que se o veículo fosse encaminhado pra Maceió demorasse a retornar ou nunca mais voltasse.
Noutro município, localizado na Zona da Mata, o prefeito conversou com o juiz e, por conta da situação de violência incontrolável e falta de efetivo, informou que iria contratar seis homens para ajudar no policiamento. Diante do quadro de inteira omissão por parte do governo alagoano o magistrado ficou quieto, mesmo sabendo que tal contratação é ilegal.
Os dois casos retratam a ausência de governo, algo comum em todos os municípios alagoanos. No primeiro significa que os prefeitos são responsáveis pela manutenção da polícia. Dão alimentação, dão também combustíveis porque a quota mensal distribuída é insuficiente, isso quando há viatura.
No município da Zona da Mata o significado é ainda pior. O prefeito pode estar criando uma milícia particular. Os seis homens contratados são comandados por ele, que é quem paga. Naturalmente vão atender primeiramente as necessidades dos aliados políticos.
Há uma revolta generalizada dos prefeitos com o caos na segurança. Embora não sejam os responsáveis pelo caos, pela omissão, o povo reclama e pede socorro ao chefe do executivo municipal.
Já o chefe do executivo estadual, o governador Vilela, trocou todo o comando da segurança pública. Mas, até agora, ninguém sabe qual é o planejamento ou estratégia para diminuir os assustadores índices de violência.
Só promessas de que o objetivo é reduzir esses índices.
Só não sabem explicar como.