O governador em exercício, José Thomaz Nonô (DEM), garantiu que o Estado conhece as deficiências referentes ao número de militares nos Grupamento da Polícia Militar (GPMs), no interior, mas discordou quanto à forma de protesto da categoria, promovendo o aquartelamento.
Durante entrevista coletiva, realizada nesta sexta-feira (13) no Salão dos Despachos do Palácio República dos Palmares, Nonô apresentou um balanço de atividades desenvolvidas nesta semana, com foco nas operações na área de segurança pública e nas ações para combater a seca em Alagoas.
Um dos últimos casos de violência que gerou revolta na população e na corporação foi o assassinato do cabo da Polícia Militar, Ivaldo Oliveira da Silva, em praça pública no município de Porto de Pedras. Quando a morte foi noticiada, associações militares voltaram a questionar a insuficiência do efetivo nos grupamentos espalhados no interior de Alagoas.
Este ano, o número de casos de roubos a agências bancárias no interior ganhou um novo ingrediente. As quadrilhas fazem militares reféns: com o número pequeno nos plantões – normalmente dois a três –, os policiais não possuem poder de reação e ficam a mercê das ações dos bandidos. Neste caso específico – em Porto de Pedras, culminando no assassinato do PM Ivaldo.
Questionado pelo CadaMinuto sobre as manifestações das associações militares, que afirmam que o número de militares é insuficiente, Nonô disse que as associações estão contribuindo ao falar que há insuficiência na corporação, no entanto o governador não concorda que aquartelamento seja uma solução porque fazer ‘corpo mole’ não seria a postura mais adequada para os militares. Esta semana, policiais da Rádio Patrulha e do Batalhão de Policiamento Escolar paralisaram as suas atividades para reivindicar mais segurança no trabalho.
"Estamos ouvindo todas as sugestões. Eles [associações estão certos em mostrar seus pontos de vista. Agora fazer corpo mole e se aquartelar, não é uma postura aceitável. Estamos analisando até a possibilidade de colocar os militares aprovados no concurso nos GPMs, não para atuar, mas para fazer presença", disse o governador.
Nonô também comentou a respeito do número de policiais a serviço em Alagoas. Atualmente o Estado possui um contingente de 6 mil policiais. Na visão do governador, 8 mil seria um número satisfatório para as necessidades do Estado. “Precisaríamos de mais dois mil militares para o combate à violência. Lógico que chegar ao número de 15 mil, seria ótimo. A situação vai melhorar um pouco agora com a entrada de novos mil militares, mas ainda há muito a se fazer”, comentou.
Sobre violência, o governador em exercício disse que a polícia atuou com carta branca nos casos de Porto de Pedras e da Chacina em Atalaia, já que era preciso dar uma resposta rápida à sociedade. “A polícia cumpriu o dever e prendeu os responsáveis por esses atos de violência. Seria uma desmoralização para a polícia não oferecer segurança nem para a própria polícia. No caso da morte do PM, a resposta veio de forma imediata. Correspondeu em gênero, número e grau”, disse.
