“Esse foi um dos casos mais grotescos de erro de investigação que já se viu em nosso Estado”. Foi com essa frase que o advogado Lucas Dória comentou sobre as investigações da Polícia Civil de Alagoas na chacina do Benedito Bentes, ocorrida em agosto de 2010. O crime chocou a todos com a violência na qual quatro jovens, Bruno Mendes da Silva, 15, Diego Henrique da Silva Galvão, 15, Lucas Barbosa, 14, e José Ricardo da Silva, 24, foram brutalmente assassinados com tiros na cabeça e tiveram seus corpos abandonados em um terreno, localizado no Conjunto Cidade Sorriso II. Três anos após a primeira linha de investigação, as pessoas apontadas pela polícia como responsáveis pelas mortes ainda sofrem com o desrespeito e preconceito de ser apontado na rua.
Dessa lista, composta por cinco homens, está o empresário Jaime José de Lima, apontado como um dos executores. Vivendo uma vida reservada e voltada para família, Lima preferiu não comentar o assunto com a reportagem do CadaMinuto Press, mas permitiu que o seu advogado transmitisse toda a sua indignação e sofrimento. Lima foi preso durante a confecção da primeira parte do inquérito, junto com Eliberto Marcelino da Silva, Leonardo Francisco da Silva, capitão Paulo Eugênio e o cabo PM Cícero Nascimento, após determinação da 17ª Vara Criminal da Capital. Até a sua conclusão, em abril deste ano, o crime foi investigado por três equipes da Polícia Civil e uma delas concluiu que as mortes não tinham autoria.
O caso viveu uma reviravolta e novos acusados foram apontados pelo polícia e denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE/AL). De acordo com o MPE, as mortes foram praticadas pelos irmãos Antônio Fernando dos Santos, Antônio Carlos dos Santos e Antônio Marcos dos Santos, que tinham como alvo José Ricardo da Silva. A promotora Marluce Falcão, responsável pela denúncia contra os irmãos, afirmou na época que as outras vítimas foram assassinadas para eliminar testemunhas sobre o caso.
Os corpos dos jovens foram encontrados um dia após o desaparecimento das vítimas. Segundo familiares, na época, eles teriam saído de casa para buscar lenha. Após um dia de buscas, os familiares resolveram acionar o Corpo de Bombeiros, que chegou aos corpos praticamente direcionados por urubus que se aglomeravam na região.
“Os acusados, em comunhão de desígnios, conscientes e voluntariamente, com motivações moralmente reprováveis - vingança (motivo torpe) e para assegurar a execução do crime e impunidade, eliminando testemunhas -, agiram insidiosamente, de forma a impossibilitar a defesa das vítimas, praticaram quatro crimes de homicídios qualificados, em suas formas consumadas, sendo, por conseguinte, incursos nas penas do art. 121, § 2º, incisos, I (motivo torpe – primeira vítima), III ( meio insidioso e cruel – execução - todos), IV (sem possibilitar a defesa das vítimas) e V (para garantir a execução e impunidade – eliminando testemunhas – três vítimas adolescentes), todos do Código Penal Brasileiro e da Lei dos Crimes Hediondos”, diz a denúncia do MPE.
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