O café da manhã entre o prefeito Rui Palmeira (PSDB) e a bancada federal foi muito mais do que uma boa refeição. Significa, isso sim, o reconhecimento de que, sem a ajuda dos deputados e senadores na luta pela liberação de recursos previstos e a colocação de novas emendas no Orçamento da União para 2014, a gestão do jovem tucano pode naufragar.
O pedido de socorro à bancada é significante. O prefeito anterior, Cícero Almeida, por exemplo, só conseguiu os altos índices de aprovação em seus oito anos de governo graças aos recursos de emendas. Daí virou o prefeito do “concreto”, como era criticado pelos seus opositores, o que de nada adiantou, nem adianta. Se há problemas, que o prefeito atual resolva, pois foi o que prometeu, assim pensa o povo. Ações concretas e obras é que valem.
Todos nós, assim como os políticos, “somos escravos das palavras ditas e donos das palavras não ditas”. Rui prometeu, Rui tem que fazer, inclusive resolver o prometido problema da Saúde, um desafio enorme. Afinal de contas, virou escravo da palavra dada em campanha. Agora, caso conquiste o apoio da bancada, conseguirá mais e novos recursos disponibilizando, assim, mais dinheiro próprio para investimentos na Saúde.
Bom, e lá no café da manhã estavam deputados federais, os senadores Collor e Biu de Lira. Quem da bancada não compareceu - foram poucos – enviou justificativa. O primeiro escalão da administração municipal compareceu em peso. Já do secretariado do governo Vilela não vi ninguém. Será que não foram convidados? Prefeito e governador são do mesmo partido, poderiam, até, fazer algumas obras em parceria, não é mesmo? São coisas da política. Vamos adiante.
Givaldo Carimbão, agora no PROS, carregava um ipad com o qual tirava fotos e pegava o número do telefone do fotografado porque havia perdido o celular com a agenda telefônica. Além disso, comemorava a maciça adesão dos irmãos ex-PSB Ciro e Cid Gomes e aliados no Ceará. Arthur Lira, ex-líder da bancada do PP na Câmara, também apareceu com alguns assessores, dos quais um tem um comportamento não recomendado, dizem. Paulão (deputado federal do PT, claro), ficou na mesma mesa que Collor. Anunciaram que Paulão e Carimbão estavam aniversariando.
E lá no título falei em revelação, pois vamos a ela: Conversei com o senador Benedito de Lira (PP). Perguntei dizendo que não entendia como ele vinha afirmando que era candidato a governador de todo jeito, há mais de um ano das eleições. Biu de Lira me disse que os que dizem que ele é candidato de todo jeito querem prejudicá-lo. “Quero ser candidato. Trabalho para concorrer ao governo e preciso construir uma base política e partidária, além do apoio do povo. Qual a primeira coisa que você faz quando vai plantar na terra? Ara a terra e tem que ter a semente. Quando você se interessa por uma mulher e quer namorar com ela, você olha, analisa, avalia e tenta chegar junto dela. Se não conseguir, parte pra outra. Assim é política”, ensina Biu de Lira.
Pergunto, por fim, onde ele tenta buscar apoio, se só no governo de Vilela ou na oposição, cujos partidos integram a base de apoio a presidente Dilma, assim como o PP? Diz Biu que o cenário nacional será importante nas definições para 2014. Mas que está arando a terra e paquerando e reafirma que ninguém é candidato sozinho nem candidato de si mesmo.