O Governo da Colômbia disse neste sábado que os diálogos com as Farc não são para negociar o programa político da guerrilha, à qual pediu para "demonstrar com fatos" que sua vontade de paz "ainda existe" e quer "o avanço com maior rapidez" no processo para pôr fim ao conflito do país.
"Esperamos que as Farc estejam à altura do momento histórico", disse em Havana o chefe dos negociadores do Governo colombiano, Humberto de la Calle, em uma declaração sem perguntas lida na véspera da jornada em que acabará o 15º ciclo de conversas de paz.
De la Calle lembrou à guerrilha que o propósito dos diálogos é buscar um acordo que ponha um fim no conflito e não a negociação do programa político das Farc, que foi acusada de ter confundido os colombiados sobre o objetivo do processo ao colocar múltiplos temas que não fazem parte da agenda acordada.
"Também não é legal o fato das Farc falarem todos os dias pelos microfones, a ponto de alguns dizerem na Colômbia que já estão fazendo política sem terem sido desarmados", indicou De la Calle.
"Isso só confundiu os colombianos sobre o propósito das conversas, fazendo com que percam apoio na opinião pública", acrescentou.
O negociador do presidente Juan Manuel Santos insistiu em suas queixas sobre o "lento avanço" das conversas de paz e voltou a lembrar à guerrilha que "a rapidez e o caráter expedito" do processo são dois fundamentos pactados no acordo geral alcançado em agosto de 2012 que abriu estes diálogos.
"É momento de avançar com maior rapidez neste processo se quisermos um país sem conflito e se quisermos cumprir com as expectativas de paz que os colombianos têm hoje. Se nos concentrarmos na agenda pactada, é possível conseguir acordos bons para a Colômbia", disse o chefe dos negociadores de paz do Governo.
No domingo será finalizado o 15º ciclo dos diálogos de paz que estão a ponto de completar um ano e cujo único fruto por enquanto é um acordo parcial sobre a questão agrária, que foi o primeiro ponto da agenda pactada para o processo.
Há três meses, as conversas seguem centradas no segundo ponto: a participação política da guerrilha em um eventual cenário de paz.
Na terça-feira passada, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu às Farc uma aceleração das negociações para que em 18 de novembro, quando se completa um ano do início do processo, já seja possível entregar resultados aos colombianos.









