A instalação no Senado da Subcomissão Permanente sobre Obras de Preparação para a Seca, esta semana, repercutiu positivamente na imprensa em todos os estados, especialmente nos do Nordeste. A exceção foi aqui, Alagoas, onde não houve a divulgação que o tema merece.
O objetivo da Subcomissão, proposta com sensatez pelo presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Fernando Collor (PTB-AL), é discutir permanentemente ações preventivas, sugerir políticas públicas capazes de propiciar as condições necessárias para a execução de obras que permitam à população do semi-árido o enfrentamento das longas estiagens, sem os prejuízos catastróficos que afetam a todos nós.
Pois bem, Alagoas vive a maior seca das últimas décadas. Os municípios do sertão e agreste permanecem sob decreto de emergência. Ou seja, o inverno terminado recentemente não foi capaz de diminuir os prejuízos sociais e econômicos causados pela estiagem e pela falta de uma política de ação e prevenção por parte do governador Vilela para enfrentar a estiagem passada e a sua continuidade.
A situação é de muita preocupação. As previsões são de outra estiagem até mais forte. O pior é que não se tem conhecimento de medidas ou ações planejadas pelo Governo de Alagoas para enfrentar o quadro atual e futuro. Sequer o governador Vilela iniciou qualquer articulação com a bancada federal para programar ações, antecipadamente, e também maior ajuda por parte do Governo Federal.
Vale lembrar que, há alguns meses, Alagoas recebeu recursos federais para usar nos municípios em estado de emergência. O dinheiro ficou parado, congelado, na conta do governo por cerca de sete meses porque simplesmente faltaram ação e plano. Erro esse que torna a se repetir.
Enquanto isso, em Pernambuco, o governo compra ração para animais, paga o frete e ajuda financeiramente os atingidos pela seca. Puro planejamento, responsabilidade e compromisso com a questão social e econômica.
O fato é que hoje, agora, o clima está quente e seco no sertão e agreste de Alagoas. Daqui a alguns dias o solo estará rachado, esturricado, sem vida e duro que nem pedra. O cheiro de morte de gente e de animais espalhado pelos baixios e altos já sem cor, acinzentados.
O silêncio assustador é quebrado apenas pelo vento empoeirado que, de vez em quando, aparece parecendo que carrega as esperanças dos desgraçados pra bem distante. O sertanejo reza, faz novena, vai à missa e faz promessa pra Frei Damião.
Daqui a alguns meses começa o processo eleitoral. Como de hábito, soluções de momento serão apresentadas e o voto pedido. É uma indústria que se repete, que teima em não desaparecer e se perpetua desgraçadamente deixando miséria e mortes.
É uma indústria de sofrimento repetido que beneficia a poucos porque rende votos.
Será este o plano do governador Vilela?
Abaixo o endereço da reportagem publicada sobre a Subcomissão:
http://www.brasil247.com/pt/247/alagoas247/116587/NE-ganha-Subcomissão-de-Preparação-para-a-Seca.htm