Em Brasília desde domingo (29), o suplente de deputado, João Caldas, age como se estivesse no pleno exercício do mandato. São reuniões, visitas e articulações no ritmo de um político cheio de compromissos. Autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 204/2012, apresentada por ele no ano passado quando exerceu o mandato por quatro meses em substituição ao então candidato a prefeito de Maceió, Rui Palmeira, Caldas comemora a criação de uma Comissão para analisá-la, propor emendas ou não, e encaminhá-las para votação em plenário, após dez sessões ordinárias.
Essa PEC, caso aprovada, determina que os órgãos de representação dos membros do MP e dos advogados enviarão lista tríplice ao chefe do Poder Executivo competente, que escolherá um dos nomes para indicação ao tribunal. Na prática, os órgãos de representação deixarão de encaminhar a lista com seis nomes para o TJ, TRT, enfim, para um tribunal, que escolhe três e encaminha para decisão do chefe do Poder Executivo.
E qual o motivo para João Caldas lutar tanto e vibrar demais pelos desdobramentos que essa PEC vem tendo? Disse-me ele que usou suas amizades e influência para que as OABs e os MPs fossem beneficiados. Mas também porque acha um erro desembargadores escolherem um representante de outra categoria. Para ele, a forma atual fragiliza as instituições, MP e OABs, porque precisam pedir favores e fazer política.
Entretanto, só atentou para o fato depois de ver o seu filho, o deputado estadual João Henrique Caldas, afastado do mandato de deputado por decisão de um desembargador que conseguia influenciar outros desembargadores que precisaram pedir favores para serem indicados para o tribunal.
A presença de João Caldas, na capital federal, também está servindo para acompanhar e participar das articulações do seu partido, o Solidariedade. E quem está a ponto de se filiar ao partido é a presidenciável Marina Silva, que dificilmente irá conseguir registro para o seu partido, o Rede Sustentabilidade, na Justiça Eleitoral.
Por fim, pergunto a João Caldas se há preocupação com o enfrentamento iniciado pelo seu filho, o deputado João Henrique Caldas, ao denunciar supostas e graves irregularidades na Assembleia? Sem demora, João caldas diz que há preocupação. “Quem conhece os meandros da política, é de se preocupar. Como Alagoas perdeu, no passado, a chance de virar essa página, ele está fazendo um bem grande a sociedade, com coragem. Alguém precisava fazer e eu não o desencorajo nem tento influenciar. Ele é equilibrado. Não acusa nem denigre ninguém”.