O ministro da justiça, José Eduardo Cardoso, pisou em solo alagoano nesta sexta-feira (27) para comemorar a redução dos assassinatos, conforme anunciado pelo governo de Alagoas. Evento marcado para ocorrer no Centro de Convenções de Maceió - lugar ideal para fato de tamanha relevância.

Sabido como todo político maduro e com tempo de estrada, o ministro se esquivou de certos questionamentos sobre a insegurança e a violência que enfrentamos em Alagoas, conforme registrado em todos os sites, respondendo que os números mostram que a violência está caindo. “Avalio apenas números”, disse o ministro.

Uma pena que o ministro não queira saber mais. Deixa pra lá. Pior seria se ele não estivesse enviando homens, recursos e estrutura para Alagoas. Aí, meu caro leitor, estaríamos #@%& de verdade com a lentidão e inoperância do governo do PSDB.

Bom, como o ministro só quer se ater aos números e não quer saber da total falta de estrutura para o funcionamento de toda a segurança pública, seria bom que ele fosse informado que Alagoas lidera o ranking de analfabetismo no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad).

E é claro que há relação entre analfabetismo e violência. No entanto, provavelmente, o ministro José Cardoso Alves não queira saber por que não tem a ver com a sua área de atuação específica - assim como o governador Vilela talvez prefira também não saber pra não ser aporrinhado. Como muita gente pode também não querer saber, desconfio, a não ser, talvez você, leitor.

Bom, se o ministro, o governador e um bocado de cidadãos não quer saber de histórias e depoimentos, talvez um ou outro leitor desavisado aceite ler este texto que escutei de um advogado que mais parece uma cena de filme. Ou um triste exemplo da completa omissão do poder público no cumprimento do seu papel diante do cidadão. Tal omissão é mais combustível que alimenta à insana violência que convivemos diariamente, pois gera certeza de mais e mais impunidade.

É essa relação que existe entre os dados, o drible do corpo do ministro, o silêncio omisso pela inoperância do poder público e o mata mata geral na terra dos marechais.

Vamos ao relato e as cenas que parecem mais um filme ou novela qualquer:

Cena 1 - A cidade é Arapiraca. Estamos no inverno de 2013. Chove continuamente. O corpo de um jovem assassinado está estendido no chão. A família, aos prantos, aguarda a presença da polícia técnica. Conta o advogado, indignado, que a espera pode durar de 12 a 24 horas. A água escorre com certa velocidade pela rua. Ora em maior quantidade, ora em menor velocidade, levando o sangue que escorre do corpo, lavando o corpo sujo de lama e de sangue.

Cena 2 – A cidade é Quebrangulo. O corpo de um homem assassinado é encontrado numa praça às 5 da manhã. Até às 12h30min não havia sinal da chegada da polícia técnica. Na praça, curiosos e familiares esperam enquanto observam as marcas dos tiros no corpo carbonizado.

Cena 3 – Depois de 12, 14 horas de espera pela polícia técnica, os corpos são recolhidos pelo IML. Ao serem liberados pelo Instituto, os familiares recebem os restos de seus entes queridos em estado de putrefação. Resumindo. O governo não cumpre o seu papel básico e obrigatório.

Dada à veracidade dos fatos acima que a mim foram relatados, é decepcionante o ministro José Eduardo Cardoso não querer ir além da frieza dos números em seus comentários. Assim também como é frustrante o governo não estar presente na vida do povo e nada comentar sobre os números do Pnad. Daí pode-se concluir o quanto a violência instalada e instituída tem relação direta com o descaso e com a inoperância governamental.

É o que penso.

E você, o que acha?