Uma operação do Ibama resultou na apreensão de quase meia tonelada de pescado em Jaraguá, na tarde desta quarta-feira (18). Revoltados com a ação, pescadores, donos do produto, prometem realizar um protesto e interditar a via em frente à Favela de Jaraguá em resposta à fiscalização do órgão.
“Tínhamos toda a documentação e não entendemos o porquê de o nosso material ter sido recolhido. Foi uma ação irregular. Esses peixes e camarões são fruto do trabalho de 10 dias dos pescadores que retornaram hoje depois desse tempo todo no mar. Vamos queimar pneu e bloquear a pista, porque isso é um absurdo, esse produto é o nosso sustento”, disse Eliane Moraes, presidente da Federação dos Pescadores.
A assessoria de comunicação do Ibama afirmou que técnicos estão realizando uma operação no estado, mas que não tinha detalhes sobre o que motivou a apreensão. “Sempre agimos dentro da legalidade, se o material foi recolhido é porque foi encontrado algo de errado”, informou.
Sem explicações
Segundo Nivaldo Amaro, que é pescador há mais de 35 anos, “isso nunca aconteceu. Apresentei toda a documentação minha e do barco. Tudo está dentro da lei. Não entendi nada. O pior de tudo é depois de mais de uma semana no mar voltar para casa de mãos vazias. Esse é meu trabalho e é com ele que sustento a minha família”.
A ação dos fiscais do Ibama foi estranha, destacou Josenildo Rodrigues, proprietário de uma das embarcações interceptadas. “A documentação está toda legalizada e validada até o dia 30 de novembro. Outro absurdo foi que o material apreendido sequer foi pesado. Os fiscais levaram os pescados e não deixaram nenhuma notificação. Até agora não entendemos o motivo da apreensão”, afirmou Josenildo.
O pescador de camarão Antônio Matias disse que apresentou toda a documentação que está válida até 2016. “Mesmo assim não houve nenhum tipo de negociação. Sequer explicaram os motivos pelo quais estariam recolhendo o fruto da pesca. Todos os camarões que estavam no barco foram colocados numa caminhonete e da mesma forma que chegaram saíram. Sem dar nenhuma explicação”, argumentou Antônio.
Entre peixes e camarão o prejuízo para os bolsos dos pescadores ficou em mais de R$ 2 mil. Mas o que mais revoltou os pescadores foi a forma de abordagem. “Fomos maltratados pelos fiscais. Uma mulher que estava no grupo foi extremamente grosseira. Ao pedir pelo menos para tirar uns peixes para levar para casa já que sou responsável pelo sustento de meus cinco filhos, ela disse que só poderia levar 1 quilo. Ao responder que essa quantidade não era o suficiente ela me chamou de ignorante e disse que eu fosse na casa dela comer feijão com charque. Isso não é forma de tratar um pai de família trabalhador”, desabafou um pescador que preferiu não se identificar.
À reportagem do CadaMinuto os trabalhadores falaram ainda que estão receosos, pois acreditam que o órgão deve enviar uma multa. “Não sabemos sequer o teor da infração e como vamos fazer para poder pagar, já que só sairemos pra pescar na próxima semana”, afirmou Nivaldo Amaro.



