Como forma de trocar experiências no trabalho com medida socioeducativa, o Núcleo Estadual de Atendimento Socioeducativo (Neas) recebeu na tarde dessa terça-feira (20) a visita do coordenador de equipe da Fundação Casa, Anderson de Sousa Barros. Ele integra a unidade Itaquera, na cidade de São Paulo e, de férias em Maceió, veio conhecer o Neas e a equipe que o compõe.
“É sempre uma troca de experiência, de saber como o trabalho é feito aqui, se eu posso levar alguma coisa para Fundação Casa ou mostrar a nossa alternativa”, explicou Anderson, que ficou impressionado com a disposição do espaço físico nas unidades. “Mesmo com os reparos que precisam ser feitos, é um espaço amplo e que dá para fazer muitas atividades com os adolescentes. Nós não temos isso”, comparou.
Entre as diferenças que notou no trabalho entre São Paulo e Alagoas, Anderson apontou questão das paredes riscadas nos alojamentos. “Lá na Fundação Casa, eles têm que pintar o que riscaram. Parede do alojamento, da sala de aula, do refeitório, não importa. Se riscou, tem que pintar. Aí eles próprios assumem o cuidado com o local onde vivem e não deixam que os companheiros estraguem a estrutura”. Em Alagoas, a medida ainda não é consenso entre Neas e Juizado.
O superintendente de Proteção e Garantia da Medida Socioeducativa, Glauber Melo, achou muito oportuna a visita do funcionário da Fundação Casa. “É interessante a conversa com colegas da área, pois é um campo complexo e onde a troca de experiências é essencial. Além disso, um novo olhar em cima da nossa realidade pode chamar atenção para algo que tinha passado despercebido pelo contato diário”, disse.
Reinserção do adolescente na sociedade
O coordenador de equipe da Fundação Casa conheceu as cinco unidades de internação e a área de convivência que compõem o complexo do Neas, no bairro do Tabuleiro. Ao fim, conheceu um dos adolescentes que participam do programa Jovem Aprendiz na Superintendência, como auxiliar administrativo, para reinserção social.
“É outra coisa o mundo lá dentro e aqui fora”, disse o rapaz de 18 anos, completados dentro do Neas. “Eu gosto do trabalho aqui, falo para os outros meninos que é bom, que tem como arrumar a vida, seguir em um caminho certo”.
Anderson Sousa ficou impressionado com o rapaz. “Temos também a reinserção, mas fora da unidade, procuramos emprego para os adolescentes, a oferta de cursos. Vocês começaram de dentro mesmo, é a visualização do trabalho completo. Não é fácil, nem todos querem ouvir, mas temos que falar e trabalhar isso com os adolescentes”.