Graças às ações de vigilância epidemiológica realizadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), em parceria com os 102 municípios, Alagoas não registra mais nenhuma cidade em epidemia de diarreia. A boa notícia foi divulgada nesta terça-feira (13), no relatório da Superintendência de Vigilância em Saúde (Sesau), que atestou a redução dos casos da doença desde a semana epidemiológica 24.

De acordo com os dados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), na semana epidemiológica 28 eram 25 municípios em epidemia, mas o número caiu para 11 na semana 29 e foi reduzido para zero esta semana. A realidade é reflexo da queda do número de casos notificados desde a semana epidemiológica 23, quando foram registrados 7.890, passando para 1.874 na semana 30 e reduzindo para 1.518 na semana 31.

“Mesmo com a redução acentuada dos casos de diarreia e de nenhum dos 102 municípios alagoanos estarem mais em situação epidêmica, a população deve continuar vigilante quanto à doença”, alerta o secretário Jorge Villas Bôas. “Além de cuidar da higiene pessoal, é necessário tratar da água que está sendo consumida, fervendo-a ou clorando-a, principalmente se ela for oriunda de fontes alternativas, como poços e cisternas”.

Hipoclorito de sódio

Desde o início da epidemia de diarreia, em maio deste ano, a Sesau vem distribuindo hipoclorito de sódio para as secretarias municipais de Saúde, que fazem a entrega à população. De maio até julho, segundo dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, foi disponibilizado 1,1 milhão de frascos de hipoclorito, que é desinfectante e, por isso, recomendado para purificar a água destinada ao consumo humano.

Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Sandra Canuto, duas gotinhas de hipoclorito de sódio são suficientes para tratar um litro de água, que deve ser utilizado 30 minutos após a introdução do produto. Ela recomenda, ainda, que a água proveniente de cisternas e poços deve ser fervida e tratada com hipoclorito, devido à contaminação do solo, que afeta diversos municípios.

A doença

A diarreia é uma síndrome causada por diferentes agentes etiológicos (bactérias, vírus e parasitas), cuja manifestação predominante é o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Em alguns casos, há presença de muco e sangue, podendo ser acompanhada de náusea, vômitos, febre e dor abdominal, com duração de 2 a 14 dias.

“A transmissão da diarreia, que somente este ano já causou a morte de 59 pessoas em Alagoas, pode ser oral ou fecal e oral. As formas variam desde leves até graves, com desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos, principalmente quando associadas à desnutrição. Por isso, é importante redobrar os cuidados com a higiene pessoal, dos alimentos e principalmente com a água utilizada para beber, lavar os alimentos e cozinhar”, evidencia Sandra Canuto.

Ainda de acordo com o Boletim Epidemiológico da Suvisa, o número de municípios em alerta passou de 42 para 32 esta semana, 44 estão com a situação sob controle e em 24 dos 102 municípios não há notificação. Atualmente estamos com 85.384 casos de diarreia em Alagoas e foram registrados 59 óbitos.

Tratamento

Sandra Canuto recomenda que, no caso de apresentar os sintomas, o paciente deve imediatamente iniciar o processo de hidratação oral, que pode ser realizado por meio do soro caseiro, sais de reidratação, sucos, água e chás. Caso os sintomas não cessem, ainda de acordo com a superintendente, as vítimas devem procurar uma unidade básica de saúde, para receber o tratamento adequado, preconizado pelo Ministério da Saúde.