Continuamos assistindo (lendo, na verdade) estupefatos às notícias que surgem dia após dia sobre o escândalo da “lista de ouro”. No qual um sem-número de pessoas seriam beneficiadas em esquema de desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa desde pelo menos 2010, mas que, suspeita-se, nunca tenha parado, se perpetuando desde os tempos que culminaram com a Operação Taturana da Polícia Federal (2007).
Na operação taturana desvendou-se um esquema que teria desviado mais de R$ 300 milhões dos cofres alagoanos, dinheiro que deveria ter sido investido em políticas públicas de qualidade.
Saúde, educação, capacitação, geração de emprego e renda, subsídios aos pequenos produtores rurais, políticas para mitigação dos efeitos da seca, inclusão social, inclusão digital, lazer, infraestrutura viária, mobilidade urbana, segurança e tantos outros serviços públicos que poderiam ser melhorados, ou simplesmente enfim ofertados, mas que se perderam em luxos, compra de votos e procrastinação judicial.
O tempo passou e hoje nos deparamos com a descoberta do que pode ser muito pior. Nas folhas de pagamento de funcionários dos anos de 2010, 2011 e 2012, apresentadas pela Caixa Econômica Federal após determinação judicial – via deputado JHC –, mostram que a prática descoberta há mais de 5 anos pode nunca ter acabado, talvez se aperfeiçoado.
Por ora as desculpas são muitas, mas quem age “na legalidade” não espera determinação judicial e nem pressão da imprensa para apresentar os fatos, as justificativas, as provas, os documentos. A história há de revelar tudo, não meras versões!
Pari passu a isso, a mídia nacional debruça-se sobre o estranho fenômeno que vitimou mais de 80 mil pessoas em 25 municípios, matando 51 alagoanos. A culpada é a água, não se surpreendam se voltarem a surgir casos de peste bubônica – mal que afligiu a humanidade até o século XIX, sim, anos mil oitocentos e alguma coisa.
Como se o caso dos desvios reiterados na ALE já não causassem tanta revolta, ainda aparecemos para o país – e para o mundo – por não tratarmos a água que damos ao nosso povo, numa atitude bem bárbara em pleno século XXI.
O mensalão teria envolvidos negócios milionários em nome de agências de publicidade, pelo menos R$ 25 milhões teriam passado pelo “valerioduto”, mas a “mesada” que era paga aos deputados do Congresso Nacional girava em torno de R$ 30 mil. Se as suspeitas que recaem sobre a Mesa Diretora da ALE/AL se confirmarem, eles podem estar recebendo mesadas – deles próprios – dez vezes mais polpudas, ou mais.
Enquanto o dinheiro alagoano continuar esvaindo-se como numa fonte inesgotável, o povo continuará sendo a principal vítima. O único a morrer!